Faltavam três horas para a meia noite, altura em que os partidos estão proibidos de apelar ao voto, mas três horas significa que ainda há tempo. Num jantar em Santa Maria da Feira, Aveiro, com cerca de 900 pessoas, Assunção Cristas lembrou a sua experiência nas autárquicas de Lisboa para criticar quem gosta de pôr tetos e limites ao CDS. “O CDS não tem limites, ninguém nos pode impor um limite”, disse a presidente do partido entre aplausos dos presentes, voltando a pôr a fasquia “mínima” na eleição de dois eurodeputados (mais um do que os que o CDS tem atualmente).

“Há quem goste de pôr tetos aos resultados do CDS, há quem diga que não conseguimos ultrapassar determinado limite. Mas nós já provámos que, para o CDS, não há limites, não há limites para a nossa votação. Já o provei nas autárquicas em Lisboa. Quando nos querem pôr uma fasquia, nós conseguimos superar, conseguimos ir mais além“, disse no palco do Centro Venezuelano de Santa Maria da Feira, naquele que foi o jantar de encerramento da campanha centrista.

Para Cristas, o “objetivo mínimo” do CDS já foi definido há mais de um ano e é a duplicação dos mandatos em Bruxelas (ou seja, eleger Nuno Melo e Pedro Mota Soares). Tudo o que mais vier, disse, é “ganho”. “O objetivo mínimo foi definido há um ano: duplicar a representação do CDS no Parlamento Europeu, no mínimo, a partir daqui é tudo ganho”, disse, repetindo o que já tinha dito esta tarde na arruada no Porto, ao rejeitar que a meta do CDS seja ficar acima do BE e PCP (assumida por Melo durante esta campanha).

Assunção Cristas voltou ainda a fazer um último apelo contra a abstenção. “Se conseguirmos combater a abstenção, que é o nosso maior inimigo, o resultado será magnifico”, disse, pedindo “a quem acredita” no CDS, que não só vá votar como “leve mais uma ou duas pessoas”.

Já Nuno Melo, nas últimas palavras e com a voz já rouca, criticou Pedro Marques, o candidato de que o PS “não se pode orgulhar”, ao contrário do CDS que se “orgulha” de ter tido todas as suas personalidades de peso na campanha: de Paulo Portas a Pires de Lima passando por Lobo Xavier. Nuno Melo voltou ainda a comparar Pedro Marques com Pedro Mota Soares, ambos ex-governantes na área da Segurança Social, para enaltecer o currículo de Mota Soares e lembrar que Pedro Marques, “sem troika, cortou pensões mínimas, sociais e rurais”.

Esta é uma candidatura pela direita em Portugal — pela direita que não se envergonha de ser direita e que não se envergonha de dizer o que pensa, que não se dilui no cinzento do centrão à espera do título das notícias do dia seguinte”, disse ainda Nuno Melo, numa crítica velada ao PSD de Paulo Rangel e Rui Rio. “Somos a moderação, mas somos o lado direito da moderação, somos a fronteira, à direita, dos extremismos”, disse o candidato do CDS, insistindo na tónica ideológica que procurou imprimir ao longo de toda a campanha.

Para Marisa Matias, um dos alvos preferidos de Nuno Melo, uma última palavra: “Que se encha de vergonha” depois de ter dito, no último debate televisivo, que o CDS tinha votado contra a diretiva europeia dos plásticos — quando o CDS votou por duas vezes a favor. Contra as “fake news”, Melo afirmou que o CDS só faz “política com a verdade”.

E, num tom patriótico, terminou dizendo que a candidatura do CDS é “pelos nossos filhos” e “por Portugal”. “Porque a Europa é aqui, em Portugal, e nunca inverteremos esta ordem”, disse, pondo a plateia a gritar “Portugal! Portugal! Portugal!”.