A cabeça-de-lista do Bloco de Esquerda encerrou a campanha em Coimbra com pouca voz mas a suficiente para antecipar os seus desejos para domingo. “Sentimos que estas eleições podem mesmo ser o início de uma alteração no mapa político à esquerda em Portugal“. A confissão espelha a ambição que a candidata se recusou a pôr por palavras ao longo de toda a semana. Chegou apenas na parte final do último discurso antes das eleições. Não terá sido por acaso.

Depois de ter conseguido que lhe fosse colado o rótulo da candidata que mais falou de Europa e que menos entrou em ataques pessoais, Marisa Matias abriu o jogo sobre as suas expetativas e objetivos para a noite eleitoral. A frase encerra em si uma série de cenários mas deixa plasmado um desejo: o Bloco de Esquerda quer e espera crescer. Mais: quer e espera que esse crescimento possa ser o catalisador de uma mudança na correlação das forças de esquerda em Portugal.

Perante uma sala com cerca de 400 pessoas, a número um do BE à europeias de domingo também fez balanços. “Conseguimos, contra todas as probabilidades, incluir temas europeus na agenda. Sentimos o apoio a crescer todos os dias”. E apelos, que nos derradeiros momentos nunca caem mal: “Apesar de toda a simpatia que sentimos, será no domingo que se decide”.

A candidata pediu que as boas receções se traduzissem em votos, com o devido auto-elogio: “Por favor digam às pessoas para votar. Votem em quem não precisa de ter um ego gigante e tem os ouvidos bem abertos e um coração grande, onde pode caber tudo”, pediu.

O discurso terminou com mais agradecimentos e com todos os candidatos presentes em cima do palco, celebrando o fim da campanha. Antes, já Catarina Martins e José Manuel Pureza tinham discursado. A líder do Bloco de Esquerda lembrou os sucessos decorrentes da geringonça, afirmou que o BE é um partido que “cumpre os compromissos” e recordou os defeitos da Europa.

Por seu lado, José Manuel Pureza deixou um aviso a António Costa, ainda que não tenha dado nome ao destinatário: “Os que acham que se pode combater a extrema direita com alianças com os liberais contam com políticos liberais como Pedro Passos Coelho, Paulo Portas ou até Durão Barros para combater a extrema-direita numa chamada frente progressista?”, questionou. A resposta só chegará depois de os votos estarem todos contados.