A Tilray Cantanhede, fábrica de produção de canábis medicinal, anunciou esta sexta-feira ter recebido uma licença de produção padrão e uma certificação de Boas Práticas de Produção (GMP), segundo os padrões da Agência Europeia de Medicamentos.

“Estes dois passos permitem à Tilray Portugal produzir e exportar canábis seca com a certificação GMP como substância ativa para medicamentos”, esclareceu esta sexta-feira, em comunicado, a subsidiária portuguesa da multinacional canadiana Tilray, instalada desde abril no Biocant Park, em Cantanhede.

A Tilray anunciou ainda que estabeleceu acordos de vendas e distribuição para fornecer canábis medicinal através dos principais canais de distribuição farmacêutica em toda a Alemanha e União Europeia.

“Esta licença e certificação aumentam ainda mais a capacidade da Tilray para responder aos mercados internacionais, como a Alemanha e outros estados membros da União Europeia, bem como noutras jurisdições fora da UE e que reconhecem a certificação GMP da União Europeia”, refere a empresa.

A empresa apresenta a obtenção da licença e da certificação como “um marco crítico para o crescimento” em Portugal e na restante Europa.

“A licença de fabrico e a certificação GMP permitem-nos começar a exportar canábis seca como substâncias ativas das nossas instalações em Portugal para mercados autorizados na União Europeia e outros mercados internacionais”, afirma Sascha Mielcarek, Diretor Geral da Europa.

Este responsável adianta ainda que a Tilray está “ansiosa” por fornecer aos mercados autorizados os produtos médicos de canábis de alta qualidade com certificação GMP e pela próxima fase da certificação GMP, o que permitirá utilizar a capacidade total das instalações de Cantanhede.

A Tilray foi o primeiro produtor de canábis medicinal a importar com sucesso produtos médicos de canábis para a União Europeia e o primeiro produtor licenciado de canábis medicinal na América do Norte a obter a certificação GMP de acordo com as normas da Agência Europeia de Medicamentos (EMA).

A fábrica de Cantanhede é a primeira em território nacional de produção de canábis medicinal, devendo assegurar 200 postos de trabalho até ao final do ano. Representa um investimento total de 20 milhões de euros.

“Estamos muito entusiasmados por comemorar outro marco na expansão da nossa presença e pioneirismo global no setor da canábis. Estamos muito agradecidos pela calorosa receção que recebemos em Portugal e na cidade de Cantanhede”, disse Brendan Kennedy, CEO (Chief Executive Officer) da Tilray, durante a inauguração da fábrica, em abril.

Kennedy adiantou que para a escolha de Portugal foi fundamental a sua “força de trabalho”, a tradição e conhecimentos nas áreas agrícolas e florestais e a atitude das autoridades nacionais em relação ao consumo de drogas leves, como a canábis.

“Estamos numa altura de mudança de paradigma. Estamos a passar da proibição para a legalização”, referiu o CEO, lembrando o exemplo bem-sucedido de Portugal.

O Campus da Tilray em Portugal é uma unidade de produção multifacetada que inclui locais de cultivo internos, ao ar livre e em estufa, bem como laboratórios de pesquisa, processamento, embalagem e distribuição de canábis medicinal e produtos médicos derivados de canabinoides.

A unidade funciona sob rigorosas medidas de segurança, sendo o acesso controlado por equipas de segurança e por vedações com arame farpado. A fábrica emprega no arranque 109 pessoas, número que deverá duplicar até ao final do ano com a expansão de novas colheitas.

A Tilray de Cantanhede também serve como centro de apoio aos esforços de pesquisa clínica e desenvolvimento de produtos da Tilray em toda a Europa, beneficiando da proximidade do Biocant, o primeiro parque de biotecnologia em Portugal cujo objetivo principal é patrocinar, desenvolver e aplicar o conhecimento avançado na área das ciências da vida, apoiando igualmente iniciativas empresariais de elevado potencial.

A Tilray é pioneira mundial na investigação, cultivo, produção e distribuição de canábis medicinal e responde atualmente a dezenas de milhares de doentes e consumidores em 12 países abrangendo cinco continentes.