Pelo menos 29 pessoas morreram e 19 ficaram feridas esta sexta-feira na sequência de um motim na prisão José Antonio Páez, no estado venezuelano da Portuguesa, avança o El Español e vários meios de comunicação locais e internacionais.

Os mortos são reclusos da prisão e os 19 feridos são polícias da cidade de Acarigua, ex-capital do estado da Portuguesa. O Ministério Público venezuelano está a investigar, adianta o El Español.

O Observatório Venezuelano de Prisões, organização não governamental que defende os reclusos, denuncia um massacre policial. Há ainda versões contraditórias sobre o que aconteceu. Não se sabe ainda se os prisioneiros estariam a tentar fugir ou se os confrontos começaram quando os guardas prisionais se preparavam para entrar numa ala sobrelotada.

O caso ocorreu numa prisão sobrelotada que fica a cerca de 350 quilómetros de Caracas, a capital da Venezuela. A prisão foi construída para 250 reclusos, mas alberga, neste momento, 540, refere o Observatório Venezuelano de Prisões.

“Estas situações acontecem porque os responsáveis estão a transformar as celas em masmorras”, disse Humberto Prado, do Observatório Venezuelano de Prisões. “Os prisioneiros na Venezuela vão continuar a morrer se nada for feito”, advertiu.

As autoridades venezuelanas ainda não fizeram qualquer comentário ao incidente. Um jornalista venezuelano já tinha relatado no Twitter que o número de vítimas mortais ascendia a 29.

Humberto Prado apela às autoridades que controlam as prisões venezuelanas para tomarem medidas que acabem com as mortes violentas nos estabelecimentos prisionais. Prado alerta que mais de 130 reclusos morreram desde 2017 em três motins prisionais na Venezuela.

Em 2018, um motim numa cadeia matou 68 reclusos na cidade venezuelana de Valência, muitos deles queimados vivos, refere a Time Magazine. Há dois anos, 39 presos morreram numa prisão no estado do Amazonas, lembrou o grupo que defende os reclusos.

Fontes locais referem que cerca de 30 prisões no país estão sobrelotadas, sendo casa de 57.000 reclusos.