Sporting

“Obrigado, Bruno!”, o grito da bancada para um capitão que no último jogo voltou a ser decisivo

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Marcou um golo que seria atribuído na própria baliza a Danilo e terminou uma época onde passou da rescisão para o número 1 da hierarquia de capitães com 32 golos. No final, Bruno ouviu "obrigado".

Bruno Fernandes comemora com Raphinha o golo do empate em cima do intervalo, num 1-1 que levaria o encontro para prolongamento

AFP/Getty Images

O Campeonato estava quase a acabar, o terceiro lugar encontrava-se praticamente definido mas o Sporting mantinha a sua série de triunfos consecutivos quando defrontou o Belenenses SAD, na antepenúltima jornada da prova. No final, goleada das antigas como nos tempos dos Cinco Violinos por 8-1 e o primeiro hat-trick da carreira para Bruno Fernandes, que se colocava ainda em posição de poder desafiar o antigo companheiro no Novara, Seferovic, na tabela dos melhores marcadores. Na zona da flash interview, onde recebeu pela décima vez o prémio de melhor em campo, tudo isso foi relativizado pelo capitão, que assumiu que foi o Sporting a travar-se sozinho na principal prova nacional. No entanto, havia algo que já estava na cabeça do médio com mais golos numa só temporada na Europa – a final da Taça de Portugal, também ali, no Jamor.

A derrota em maio de 2018 ficou sempre atravessada nos jogadores verde e brancos que viveram na primeira pessoa aquela que foi uma das semanas mais negras da história do clube com o ataque à Academia, em Alcochete. E, gorada que estava a hipótese de lutar pelo Campeonato, as atenções viraram-se para a Taça de Portugal depois da conquista da Taça da Liga. 109 jogos depois (ou 9.366 minutos depois), o internacional português deverá ter feito o último encontro com a camisola do Sporting em apenas duas temporadas onde, pelo meio, rescindiu contrato mas acabou por voltar atrás na decisão e assinar um novo vínculo. Foi por isso que, ao longo da semana, nas intervenções públicas ou no próprio balneário, encarou sempre o encontro frente ao FC Porto como a possibilidade de fechar da melhor forma um ciclo que tentou superar o episódio de 15 de maio de 2018.

Nesse caminho até ao Jamor, Bruno Fernandes foi como que um relógio suíço, marcando um golo em todos os seis encontros realizados frente a Loures (2-1), Lusitano Vildemoinhos (4-1), Rio Ave (5-2), Feirense (2-0) e Benfica (1-2 e 1-0). Pelo meio, subiu na hierarquia de capitães depois da saída de Nani para os Estados Unidos e manteve sempre um discurso concordante com esse estatuto, como se viu na antecâmara deste jogo ao admitir apenas a saída perante uma proposta irrecusável para si e boa para o Sporting mas sempre destacando que continuava com as mesmas ambições do clube de Alvalade: ser campeão. Agora, na final que se traduziu também no nono clássico com os azuis e brancos desde que chegou a Portugal para finalmente estrear-se no principal escalão nacional depois de vários anos em Itália, conseguiu marcar pela primeira vez no clássico e teria alcançado um registo histórico ao marcar em sete jogos seguidos na Taça de Portugal, algo que apenas não aconteceu porque, depois de rever o lance, o árbitro Jorge Sousa decidiu atribuir esse momento a Danilo, que desviou a bola para a própria baliza.

Por tudo isso e muito mais, o médio era um dos mais emocionados quando os jogadores verde e brancos começaram a subir a longa escadaria até chegar à tribuna onde, com a braçadeira bem composta, ergueu o terceiro título pelos leões. Nesse caminho, onde ainda tirou algumas fotografias entre cumprimentos, ouviu dezenas de vezes a mesma expressão: “Obrigado, Bruno!”.

“Estou com o Sporting e não há contactos com nenhum clube, pelo menos que eu saiba, Ouve-se falar muita coisa, de certeza que há clubes interessados, mas até hoje o meu foco foi sempreno Sporting. Agora, quero descansar um bocadinho porque tenho muito para dar à Seleção ainda. Fazer os adeptos felizes? Nós fazemos esta gente feliz, não sou eu. Passei dois anos intensos, não sei se vou passar o terceiro ano, não sei se vou embora. Ninguém sabe o futuro”, começou por dizer após o triunfo, antes de recordar também o regresso ao Jamor após a final do ano passado com o Desp. Aves. “É sempre emocionante, depois de tudo o que aconteceu. Tentei reconquistar a confiança dos adeptos, dei o meu melhor. Foi sangue, suor e lágrimas por este clube, como se costuma dizer, e continuei a fazê-lo sempre que vesti esta camisola. Entrei em campo com lágrimas nos olhos, foi um momento difícil o do ano passado, agora é festejar. Este clube merece tudo. Houve culpados mas não nos cabe a nós isso, cabe-nos fazer o melhor por este clube. Os adeptos foram fundamentais. Foi um ano difícil, quase um ano zero”, completou.

Bruno Fernandes pode agora partir do clube (muito provavelmente para Inglaterra, sendo certo que ficará como a maior venda de sempre dos leões superando os 40 milhões que o Inter pagou por João Mário). O presidente que o contratou, Bruno de Carvalho, já partiu do clube. E o outro Bruno, neste caso Gaspar, também deverá partir do clube: aproveitando a ausência por castigo de Ristovski, o antigo lateral da Fiorentina foi titular na final da Taça de Portugal e deverá ter feito o último encontro pelo conjunto verde e branco numa altura em que a estrutura leonina já procura um lateral para assumir a titularidade (que só não será Kenny Tete, do Lyon, se as exigências financeiras superarem as possibilidades, havendo ainda o jovem Thierry Correia na calha para subir ao conjunto principal). Quando sair, sai em paralelo aquela que foi uma das últimas contratações do antigo líder do clube, a par de Viviano (que foi emprestado à SPAL) e do técnico Sinisa Mihajlovic, dispensado pela Comissão de Gestão.

De resto, entre as opções habitualmente titulares (ou, em condições normais, com esse estatuto), as duas maiores dúvidas estão centradas num velho conhecido e numa nova cara: cedido por empréstimo pelo Guangzhou Evergrande durante um ano, Gudelj pode ficar na próxima época mas apenas se houver acordo com a formação chinesa e com o jogador, que teria de baixar o atual vencimento; já Bas Dost, jogador que melhor representou o trauma da final da época passada com o Desp. Aves ao aparecer em campo ainda com a cabeça ligada pelos ferimentos de que foi vítima no ataque à Academia, pode ou não ficar dependendo do aparecimento de propostas que cheguem aos 15/20 milhões de euros (também por questões salariais).

Notícia atualizada depois de ter sido confirmado que Jorge Sousa atribuiu o primeiro golo do Sporting a Danilo na própria baliza

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