O Presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, recebeu este domingo o apoio de milhares de pessoas que se manifestaram em todos os 27 estados e em pelo menos 153 cidades do país, segundo informações divulgadas pela imprensa local.

Organizadas por grupos de direita como o Brasil Conservador, Movimento Mais Brasil e Nas Ruas, as manifestações de apoio foram planeadas como uma resposta aos protestos contra o bloqueio das verbas para a Educação anunciado pelo Governo, que levaram milhares de estudantes e professores às ruas em mais de 170 cidades do país no último dia 15.

Em São Paulo, a maior cidade do Brasil, milhares de pessoas reuniram-se na Avenida Paulista, vestindo roupas de cor verde e amarela e carregando a bandeira do país, onde misturaram-se com frequentadores da área que aos domingos fica fechada para a passagem de carros e se transforma num parque aberto à prática desportiva e a realização de eventos culturais.

Jessica Lemos Leite Mafra, de 26 anos, estava na manifestação organizada na Avenida Paulista e contou à Lusa que decidiu aderir à manifestação porque apoia os projetos do Governo. “Eu vim aqui porque Bolsonaro expõe propostas que estão de acordo com as minhas ideias e valores como a reforma no sistema de pagamento de pensões por reforma”, disse.

Na minha opinião, os governos anteriores não conseguiram administrar bem a economia do país e hoje estamos aqui para apoiar as reformas [económicas], para que os nossos filhos e netos tenham a garantia de que terão direito a receber pensão por reforma no futuro”, acrescentou.

José Carlos da Silva, de 60 anos, também afirmou que apoia as políticas do Governo porque elas são necessárias para melhorar o Brasil. “Bolsonaro precisa do apoio da população. Hoje, ele está muito solitário na luta contra os corruptos que assolam a nação (…) Eu acredito que existe no Congresso um movimento contra Bolsonaro porque eles [parlamentares] não se conformam que o Governo não é mais favorável em relação à manutenção dos seus interesses”, afirmou.

Já Maria Teresa Maragni Silveira, de 72 anos, frisou a vontade de apoiar Bolsonaro e o ministro da Justiça, Sérgio Moro. “Vim aqui [na manifestação] para apoiar Bolsonaro e o Moro e defender que o Congresso aprove as propostas deles. O Congresso e todos os políticos estão a unir-se para paralisar os projetos do Bolsonaro e do Moro e vim manifestar-me contra isto”, declarou.

“Quero o Brasil que os brasileiros têm direito. Um país em que existe democracia, em que a Justiça seja justa com menos corrupção. Não acho que o Bolsonaro é um Deus, mas ele é o menos ruim e tem boa vontade para com os brasileiros. Aqui estão os brasileiros que querem um país justo. Estamos cansados de ser roubados”, defendeu Maria Teresa Maragni Silveira.

Os grupos que convocaram as manifestações realizadas hoje defendiam inicialmente ideias polémicas como o encerramento do Congresso e do Supremo Tribunal Federal (STF). No entanto, mudaram os planos e anunciaram que estes tinham como objetivo defender o Governo de Bolsonaro, que sofre resistência em votações do Congresso, e projetos como a reforma no sistema de pagamento de pensões, o pacote anticrime e a reforma administrativa, que baixou de 29 para 22 o número de ministérios.

Durante os atos, o Presidente brasileiro divulgou fotos e vídeos sobre as manifestações nas suas contas nas redes sociais. “Há alguns dias, fui claro ao dizer que quem estivesse a pedir o fecho do Congresso ou do STF hoje estaria na manifestação errada. A população mostrou isso. Sua grande maioria foi às ruas com pautas legítimas e democráticas, mas há quem ainda insista em distorcer os factos”, escreveu na rede social Twitter.

Antes disso, Bolsonaro já tinha declarado, de manhã, durante um culto evangélico na cidade do Rio de Janeiro, que as manifestações foram organizadas para “dar um recado àqueles que teimam com velhas práticas que não [querem] deixar que o povo se liberte”.

Nestes vídeos, feitos por apoiantes do Presidente brasileiro, é possível ouvir discursos contra o Partido dos Trabalhadores (PT) e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, exaltações ao Presidente Bolsonaro e ao tema de campanha dele “Brasil acima de tudo, Deus acima de todos”.