Chefs

Dois dias com Sangue na Guelra para mudar a forma como comemos

Entre os dias 27 e 28 de maio, Lisboa vai abordar o modo como comemos, produzimos, distribuímos e cozinhamos. Sustentabilidade, Brasil e vinhos naturais são alguns dos temas em debate.

Amuse Bouche

O poeta e músico norte-americano Gil Scott-Heron cantava que a revolução não iria passar na TV, mas Paulo Barata e Ana Músico sugerem uma alternativa: e se em vez de exposta num televisor ela for apresentada à mesa, entre faca e garfo? Ou numa horta com tratores e enxadas? Talvez até num refeitório comunitário ou nas páginas de uma revista… Não parecendo, sugestões deste género acabam por ser mais plausíveis, quem duvidar pode tirar as teimas nos dias 27 e 28 de maio naquela que será a 5.ª edição do Symposium Sangue na Guelra, um dos eventos em Portugal onde mais se fala de comida e alimentação, dentro ou fora dos pratos, e cujo tema deste ano é, precisamente, a revolução.

Palestras, conversas, debates e apresentações são alguns dos formatos que poderá consumir ao longo destes dois dias em que a Gare Marítima de Alcântara, em Lisboa, estará cheia de “revolucionários”, portugueses e internacionais, com as mais variadas profissões ligadas ao mundo da alimentação — de cozinheiros a políticos, passando por produtores de vinho, proprietários de lojas, jornalistas e representantes políticos.

O objetivo de tudo isto? “Promover a irreverência e a inquietude na vasta comunidade gastronómica nacional”, explica a organização. Temas como a criatividade, sustentabilidade, investimento na restauração, causas ambientais e sociais bem como a economia local e circular e a alimentação das crianças estarão em cima da mesa e serão discutidos em 19 momentos espalhados pelas mais de 10 horas diárias de muita troca de ideias — havendo também, claro, momentos para comer, como os pequenos-almoços (ocorrem nos dois dias) e almoços.

De entre os nomes que vão marcar presença no palco merecem destaque, por exemplo, o do chef brasileiro César Costa, que no seu restaurante (Corrutela, em São Paulo) leva ao limite as noções de sustentabilidade; a chef brasileira Ana Luiza Trajano, Presidente do Instituto do Brasil a Gosto e embaixadora gastronómica do “País Irmão”; o britânico Joe Warwick, food writer consagrado (é ele que assina o bestseller “Where Chefs Eat”) e diretor criativo dos novos The World Restaurant Awards; o casal de cozinheiros Janaina e Jefferson Rueda, que estão a revolucionar (lá está) um bairro de São Paulo com os seus dois restaurantes, A Casa do Porco e o Bar da Dona Onça; e também o sommelier esloveno (do icónico Hiša Franko, da chef Ana Roš, Valter Kramar, perito nos chamados “vinhos naturais”.

Esta é a primeira vez que o Symposium tem a duração de dois dias e isso justifica-se não só pelo maior número de convidados mas também pela presença e apresentação de novos e criativos projetos que se têm vindo a destacar neste meio, entre eles, por exemplo, o R-Evolution (We R Evolution) de Sofia Bizarro, que é investigadora no projeto “SPLACH – Spatial Planning for Change”, no ISCTE – IUL, e que estuda as dinâmicas urbano-rurais, coesão territorial e sistemas alimentares urbanos. O Projeto Refeitórios Escolares, que está a ser desenvolvido pela Junta de Freguesia dos Olivais e que consiste na introdução de alimentação biológica e saudável em escolas de primeiro ciclo também será apresentado, por exemplo.

Finalmente, no Symposium Redux (cujo bilhete é vendido à parte), vai poder provar, pela hora do almoço (em ambos os dias, das 13h às 15h), alguns pratos confecionados pelo jovens e talentosos cozinheiros nacionais — isto porque a revolução, seja ela qual for (ou como for), não se consegue fazer de estômago vazio.

Symposium Sangue na Guelra
Gare Marítima de Alcântara, Lisboa
27 e 28 de maio, das 9h às 17h
Bilhetes:Passe geral (90€), dia único (50€), estudantes de hotelaria (75€ e 35€, respetivamente), almoços Redux (25€)

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