Na última edição da Web Summit, André Villas-Boas, que uns meses antes tinha cumprido o sonho de participar pela primeira vez no Rali Dakar, foi uma das figuras com mais intervenções entre as personalidades ligadas ao desporto que passaram pelo evento e chegou mesmo a deixar algumas pistas sobre o regresso aos bancos, admitindo que estava a aprender alemão e que era fascinado pelo Japão. No entanto, a próxima paragem do português não será nem a Bundesliga nem a J League: o treinador foi esta terça-feira confirmado como sucessor de Rudi Garcia no comando técnico dos franceses do Marselha.

Villas-Boas. De aprender alemão ao fascínio pelo Japão, uma conversa sobre futebol – e o que mudou Guardiola

“O Marselha já se tinha interessado em mim em 2013, antes de me mudar para o Zenit de São Petersburgo. É um dos maiores clubes da Europa, com muito prestígio e com um troféu europeu no currículo. Obviamente que é um projeto que me pode interessar. Já tomaram uma decisão em relação ao Rudi Garcia, e são muito bem geridos pelo Andoni Zubizarreta, uma pessoa que conheço bem. Se me contactarem, terei todo em prazer em reunir-me com eles”, tinha comentado Villas-Boas no final da semana passada, perante as notícias que o davam como objetivo número 1 do clube para a próxima época.

De acordo com o L’Équipe desta terça-feira, o técnico português terá um salário bruto mensal de 600 mil euros (sendo que, em França, os impostos ficam com mais de metade do vencimento ilíquido), ficando ainda por definir todos os nomes da equipa que acompanhará Villas-Boas para o Velódrome. Um deles deverá ser Ricardo Carvalho, antigo campeão europeu de clubes (FC Porto, 2004) e seleções (Portugal, 2016) que terminou a carreira na China em 2017, pelo Shanghai SIPG, depois de passagens por Premier League, no Chelsea, La Liga, no Real Madrid, e Ligue 1, no Mónaco (de Leonardo Jardim).

Depois de uma curta passagem pelas Ilhas Virgens Britânicas como diretor técnico e treinador interino quando ainda escondia ter apenas 21 anos, Villas-Boas, que já estava ligado ao FC Porto através da formação (e do antigo vizinho Bobby Robson), pertenceu à equipa técnica de José Mourinho nos azuis e brancos, no Chelsea e no Inter até 2009, altura em que quis assumir um percurso como treinador principal e agarrou na Académica. Depois de dois momentos em que esteve muito próximo de ser contratado pelo Sporting, quando José Eduardo Bettencourt era presidente, o técnico chegou à sua “cadeira de sonho” e assinou pelo FC Porto no verão de 2010 para uma época onde ganhou quase tudo: Campeonato, Taça de Portugal, Supertaça e Liga Europa.

No final dessa temporada, o Chelsea pagou os 15 milhões de euros da cláusula de rescisão e contratou o português tendo em mente o sucesso alcançado com José Mourinho mas as coisas acabaram por não correr da melhor forma, com Villas-Boas a sair ainda antes do final de uma época que terminaria com os blues a conquistarem a Liga dos Campeões com Di Matteo no comando. Em 2012, o português assinou pelo Tottenham, bateu o recorde de pontos do clube numa edição da Premier League mas, a meio do segundo ano de contrato, chegou a acordo para sair no seguimento de alguns resultados menos conseguidos.

O “Cenourinha” chega à outra cadeira de sonho: a vida a acelerar de Villas-Boas até ao Dakar

Depois de estar apenas três meses sem clube, Villas-Boas transferiu-se para a Rússia, ganhando um Campeonato, uma Taça e uma Supertaça pelo Zenit até 2016, quando aceitou o desafio de tentar ser campeão da China pelo Shanghai SIPG. Uma época passada, o português saiu sem cumprir esse objetivo e fez uma pausa na carreira, aproveitada também para cumprir alguns sonhos de criança como a participação no Rali Dakar, entre outras provas do desporto motorizado. Agora, o próximo desafio é agarrar numa época que terminou a Ligue 1 no quinto lugar, fora do apuramento europeu e que não ganha qualquer troféu desde 2012, quando venceu a Taça da Liga. Ao todo, o Marselha soma nove Campeonatos (o último em 2010), dez Taças de França, três Taças da Liga e uma Supertaça, além de ter sido campeão europeu em 1992/93.