Brasil, cinco títulos, out. Sérvia, dois títulos, out. Gana, Espanha, Rússia, Alemanha e Inglaterra, todos com um título cada, out. Entre dez campeões do mundo Sub-20, apenas três marcavam presença nesta fase final da edição de 2019: Argentina, a recordista com seis vitórias; Portugal, que ganhou duas vezes; e França, vencedora numa ocasião. Só por isso, o cruzamento entre a Seleção Nacional e os sul-americanos já era o mais aguardado na Polónia. Mas não ficava por aqui.

Portugal vence Coreia do Sul na estreia no Mundial Sub-20 com golo de Trincão

Há 40 anos, quando a Argentina de Diego Armando Maradona venceu o seu primeiro troféu, o cruzamento com Portugal ficou adiado pela derrota da Seleção Nacional nos quartos com o Uruguai, após prolongamento. Em 1989, quando os comandados de Carlos Queiroz conseguiram o primeiro triunfo em Riade, foram os argentinos a perderem com o Brasil nos quartos. Assim, foi preciso esperar pelo Mundial organizado em Portugal para haver o primeiro duelo entre ambos nos Sub-20, com golos e cartões repartidos: Gil, Paulo Torres e Toni marcaram na Luz no jogo em que Paris, Pellegrino e Esnaider viram vermelho. Daí para a frente, mais dois encontros favoráveis à Seleção: 1-0 na fase de grupos de 1995 com golo de Dani; 5-4 nas grandes penalidades após o nulo em 2011, com Tagliafico, hoje no Ajax, a desperdiçar a última tentativa.

Era neste contexto que Portugal, agora comandado pelo ex-campeão mundial em 1989 Hélio Sousa, chegava ao quarto duelo em fases finais do escalão, depois de triunfos na primeira jornada frente a Coreia do Sul (1-0) e África do Sul (5-2). E com uma geração nacional habituada a ganhar (venceu o Europeu Sub-17 em 2016 e Sub-19 em 2018) e com jogadores muito utilizados esta época no plano interno ou europeu. No entanto, a Argentina, que nunca tinha marcado à Seleção Nacional em jogos do Mundial Sub-20, marcou mesmo em dose dupla e garantiu uma vitória que valeu também a passagem à próxima fase, com destaque para o poderio físico da referência ofensiva Adolfo Gaich e para o virtuosismo (às vezes excessivo) de Ezequiel Barcos.

Portugal até começou o encontro em Bielsko Biala da melhor forma, com um canto onde Jota não desviou por pouco ao segundo poste e um cruzamento que podia trazer complicações travado por Roffo. No entanto, e ao longo do quarto de hora inicial, houve mais Argentina no encontro pelo mérito que teve em condicionar a primeira fase de construção da Seleção Nacional. Durante vários minutos, pelas dificuldades em fazer chegar a bola com qualidade a Florentino Luís ou Gedson Fernandes e pelos lances em que Rafael Leão não conseguiu e distribuir da melhor forma, o conjunto de Hélio Sousa quase nunca passou com o mínimo perigo do meio-campo e ia vendo Barcos, o artista argentino formado no Independiente que hoje joga nos Estados Unidos (Atlanta United), criar desequilíbrios sem que isso se transformasse em oportunidades na baliza de João Virgínia.

Aos poucos, as características do jogo começaram a mudar, com Portugal a encontrar diferentes caminhos com o mesmo fim de chegar à baliza da Argentina. Rafael Leão, no seguimento de um passe longo de Jota para as costas do lateral Facunco Mura, atirou para defesa apertada de Roffo (16′). No minuto seguinte, explorando a meia distância e aproveitando o domínio que a equipa ia ganhando no corredor central, Gedson Fernandes experimentou o remate e atirou a rasar o poste. Aos 20′, Jota ganhou no 1×1 com Mura, fez a diagonal mas a tentativa voltou a ficar em Roffo, que defendeu para canto. Agora era a Argentina que parecia amarrada no colete de forças, vendo de novo a Seleção Nacional ficar muito perto do golo quando Diogo Leite, após mais um canto da esquerda, apareceu sozinho na área para colocar de novo a rasar o poste da baliza sul-americana (30′).

Ainda assim, e num lance a quatro toques, foi o conjunto argentino a adiantar-se no marcador: pontapé de baliza de Roffo para a zona esquerda da defesa nacional, desvio de cabeça do “tanque” Gaich, jogada individual de Julian Alvarez e cruzamento para desvio do avançado do San Lorenzo que entretanto tinha feito a diagonal para a área, num remate cruzado que bateu no poste mas foi mesmo para dentro da baliza de João Virgínia (33′). Na única tentativa enquadrada e através do processo mais simples de chegar ao último terço, os sul-americanos passaram para a frente e assim chegaram ao intervalo, apesar de mais uma tentativa do apagado Miguel Luís de fora da área, para defesa a dois tempos do guarda-redes contrário.

O segundo tempo, sem substituições, teve um remate fortíssimo de Moreno de fora da área ao poste (50′) e um lance onde Barco sofreu um ligeiro agarrão de Diogo Queirós na área mas ficou sem grande penalidade pelo aparato com que se atirou para o relvado – e não foi a única vez que o avançado entrou nestas atividades mais circenses, tendo tanto de bom jogador como de artista da simulação. No entanto, aos poucos e sobretudo com a entrada de Mesaque Dju para o lugar de Trincão, Portugal agarrou de vez na partida e passou a dominar por completo perante a incapacidade argentina de sair em transições.

Jota, em dois lances em minutos consecutivos (64′ e 65′), obrigou Roffo a intervenções muito complicadas antes da melhor iniciativa em velocidade de Portugal, que terminou com um passe de Dju para Rúben Vinagre disparar pouco ao lado quando tinha tudo para fazer o empate (69′). Apenas quatro minutos depois, Gedson Fernandes, num livre direto muito perto do limite da área, atirou em jeito mas mais uma vez a passar ligeiramente ao lado da baliza de Roffo. A Seleção Nacional arriscou tudo, trocou Miguel Luís por Pedro Martelo, ainda manteve a esperança de empatar depois de uma defesa de João Virgínia a remate de Gaich após erro de Rafael Leão mas um golo de Patrício Pérez, no seguimento de uma livre lateral marcado por Barco, sentenciou por completo a partida a seis minutos do final, colocando a continuidade ou não de Portugal na prova dependente da última jornada, em que irá defrontar a África do Sul (que esta noite joga com a Coreia do Sul).