Arrancou esta terça-feira no tribunal de Norman, no estado do Oklahoma, o julgamento de um processo multimilionário que coloca várias farmacêuticas norte-americanas no banco do réu. Uma delas é a Johnson & Johnson que está a ser acusada de fomentar uma “epidemia de opioides”.

Este é o primeiro de dois mil processos interpostos pelos governos estaduais e locais norte-americanos contra fabricantes de opioides — apontados como uma das causas de morte por overdose nos Estados Unidos. Só em 2017, os Centros de Controlo e Prevenção de Doenças norte-americanos registaram mais de 47 mil mortes por overdose relacionadas com opioides. Em média, 130 norte-americanos morrem por dia desta forma, escreve a BBC.

A Johnson & Johnson produz um adesivo de fentanil que pode ser prescrito para pacientes que sofram com dores intensas e crónicas. O fentanil é também usado como droga recreativa, muitas vezes misturada com heroína e cocaína — foi, aliás, esta substância que matou Prince em abril de 2016, que a consumia para aliviar dores crónicas.

O Procurador Geral de Oklahoma, Mike Hunter, alegou que a Johnson & Johnson, a Purdue Pharma e a Teva Pharmaceutical — outras duas farmacêuticas envolvidas nos processos — realizaram campanhas enganadoras que minimizaram os riscos do consumo de opioides, exagerando as suas vantagens. Hunter acusa a Johnson & Johnson de estar “por detrás da pior crise de saúde pública provocada pelo homem, na história do estado [de Oklahoma]”.

Os advogados da Johnson & Johnson negam quaisquer irregularidades e garantem que comercializaram produtos de forma responsável.