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O fim da versão Lakers 2.0 de Magic e Pelinka: intimidação, medo, bullying e o flop desportivo

Longo artigo da ESPN expõe erros nos Los Angeles Lakers com Magic Johnson (que já se demitiu) e Rob Pelinka no comando, da cultura do terror com diretores e funcionários aos erros na parte desportiva.

Magic Johnson, que durante dois anos foi presidente das operações desportiva, e Rob Pelinka, diretor geral, num jogo de pré-temporada

Getty Images

Pensar na NBA como um entretenimento ou olhar para o basquetebol como um espetáculo são dois caminhos que se completam e cruzam na mesma estrada: o Showtime dos Los Angeles Lakers nos anos 80. Antes (quando a franquia estava em Minneapolis) e depois houve mais títulos ganhos pela equipa mas nenhuma se equiparou à que se sagrou cinco vezes campeã nesse período – num total de oito finais entre 1980 e 1989. Mérito para Kareem Abdul-Jabbar, a referência. E para Magic Johnson, o sangue novo que deu outra fantasia ao jogo. E para Pat Riley, o técnico que liderou o grupo nas vitórias e derrotas nessa fase. E para Jerry Buss, o dono dos Lakers que transformou por completo o conceito da formação de Los Angeles e do próprio jogo. Falecido em 2013, percebe-se que é aí que se encontra o início do fim para a segunda franquia com mais títulos.

A história de Gerald Hatten Buss (assim era o seu nome de nascimento) é uma viagem ao improvável com um toque de Midas pelo meio. Criado por uma mãe divorciada e a saltar entre cidades enquanto estudava, começou a trabalhar como químico na Administração de Segurança e Saúde de Minas, passou depois de forma breve pela indústria aeroespacial e começou a dar aulas, aquilo que mais gostava. No entanto, e como dinheiro que recebia não era o suficiente, Jerry Buss investiu no ramo imobiliário para ir buscar mais algum e foi a partir daí que começou a fazer fortuna, tendo produzido mesmo um filme antes de comprar ao também empresário Jack Kent Cooke os Los Angeles Lakers (basquetebol), os Los Angeles Kings (hóquei em gelo, até 1988) e o The Forum, onde a equipa jogou durante anos a fio – mais tarde teve também as Los Angeles Sparks (basquetebol feminino) e os Los Angeles Lazers (futebol indoor). Com ele, os Lakers ganharam dez dos seus 16 títulos de campeão.

É no dia da sua morte, a 18 de fevereiro de 2013, que começa um longo artigo da ESPN que provocou ondas de choque na equipa, com reações quase em catadupa. Contas feitas, desde esse dia até hoje, os Lakers somaram um total de 329 derrotas, falhando nos últimos anos a entrada no playoff da Conferência Oeste mesmo contando na época que está agora a ter a sua final entre Toronto Raptors e Golden State Warriors com um dos melhores jogadores da última década (ou de sempre), LeBron James. Sobretudo nos últimos dois anos com Jeanie Buss – filha de Jerry que namorou alguns anos com o antigo técnico Phil Jackson – a escolher Magic Johnson para presidente de operações e Rob Pelinka, antigo agente de Kobe Bryant, para diretor geral.

Sobre o antigo base, as dezenas de fontes contactadas descrevem alguém incapaz de ser um verdadeiro líder e que funcionava na base do medo em relação aos diretores e restantes funcionários da franquia. “Se alguém rebatesse alguma coisa que dissesse, a resposta era sempre num tom ameaçador. Usava a intimidação e o bullying para mostrar a sua autoridade”, contou um desses responsáveis. “Aparecia sempre em público com todo o seu amor e um sorriso largo mas não era assim. Só sabia espalhar o medo. Era um traficante”, disse um empregado dos serviços médicos do clube. Alguns terão mesmo sido levados a psicólogos e especialistas perante um Magic Johnson que dizia “Não aguento erros porque eu não cometo erros”.

Também a parte desportiva foi sempre colocada em causa, não pela contratação de LeBron James (que a equipa já preparara antes, guardando uma boa fatia do orçamento de 2018/19 para uma grande contratação entre os jogadores sem contrato) mas pela restante composição da equipa. “O mundo do basquetebol questionava-se com aquelas opções e nós também, claro. Que raio estávamos a fazer? Não só não conseguíamos atiradores para a equipa como íamos deixando escapar muito talento. Todos estavam confusos porque não fazia sentido”, questionou um dos responsáveis pela parte desportiva, que não esqueceu também a manutenção de Luke Walton no comando técnico e os últimos dias antes do fecho da janela de mercado, em fevereiro, quando vários jogadores foram dados como descartados mas ficaram e Anthony Davis (Pelicans) não chegou.

Em paralelo, todas as decisões nesta nova era que foi descrita pela dupla como “Lakers 2.0” eram tomadas sem consultar ninguém da estrutura, ainda que Rich Paul, agente de LeBron James, se tenha tornado uma peça chave na definição da política desportiva. Entretanto, Magic Johnson pediu a demissão em abril, primeiro numa base de decisão pessoal mas, mais tarde, falando em “traição” e “facadas nas costas” de Pelinka, que acabou por reforçar poderes e já contratou o antigo técnico de Indiana Pacers e Orlando Magic, Frank Vogel, que terá o ex-base Jason Kidd como adjunto. “Sou o tipo de pessoa que junta toda a gente, que levanta os empregados. Nunca abusei de ninguém nem nunca o farei porque não sou assim. Se a Jeanie [Buss] soubesse que tinha desrespeitado alguém, ter-me-ia chamado ao gabinete dela e isso nunca aconteceu. Ela sabe a verdade. Se despedi algumas pessoas? Sim mas porque queríamos mudar e melhorar”, comentou Magic, citado pelo The Washington Post.

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