Uma anaconda de um aquário em Boston, Estados Unidos, teve uma ninhada sem nunca ter acasalado ou sequer contactado com qualquer macho. O réptil é tratado no New England Aquarium e vive num aquário exclusivamente habitado por fêmeas. Os testes genéticos feito às crias provaram que este é um caso muito raro de partenogénese, um fenómeno em que as fêmeas desenvolvem embriões sem nunca ter havido fertilização. As anacondas bebé são clones da própria mãe.

Anna, o nome da anaconda, tem oito anos, três metros de comprimento e pesa 13 quilos. Pertence à espécie Eunectes murinus, que é nativa das florestas tropicais da América do Sul e é a cobra mais pesada e mais longa do mundo. Viveu toda a vida em organizações para répteis e nunca esteve em contacto com nenhum macho, garantem os tratadores. Em janeiro, no entanto, entrou em trabalho de parto. Duas das crias morreram — uma ainda durante o parto e outra uns dias mais tarde. Mas outras duas crias sobreviveram.

Para saber como pode Anna ter engravidado, os tratadores recolheram amostras de ADN das crias sobreviventes e pediram a um laboratório que as comparasse com a informação genética da progenitora. Foi assim que descobriram que as duas crias era cópias genéticas da mãe e que tinham sido geradas por parterogénese, uma forma de reprodução muito rara entre os animais, mas que já foi reportada em lagartos, raias, tubarões e pássaros.

A parterogénese só acontece quando as fêmeas passam longos períodos de tempo sem acasalar. Fazem-no para protegerem a continuidade da espécie, mas o processo de desenvolvimento do embrião ainda não é completamente compreendido pelos cientistas. Os estudos mais recentes apontam para a possibilidade de o óvulo da fêmea se fundir com uma espécie de “rascunho” de uma célula que só tem metade da informação genética porque parou de crescer durante a sua formação. Esse “rascunho” substitui a informação genética que devia ser dada pelo macho.

Há dois anos, um tubarão-zebra fêmea conseguiu ter crias sem ter mantido relações sexuais com nenhum macho. As três crias nasceram ao fim de quatro anos de abstinência da progenitora da espécie Stegostoma fasciatum, uma das mais comuns no Oceanário de Lisboa.

Ao contrário desta anaconda, este tubarão passou 13 anos a cruzar-se com um macho num aquário em Townsville, na Austrália. Quando o macho foi retirado, a fêmea nunca mais teve contacto com nenhum outro tubarão. Ao início, os tratadores desconfiaram que o tubarão fêmea pudesse ter armazenado esperma do companheiro ao longo do tempo para o usar na sua ausência. Mas os testes genéticos provaram que a fêmea reproduziu-se de forma assexuada: as crias eram clones da mãe. A informação genética das quatro era igual.