Já há data para a audição de Armando Vara na Comissão Parlamentar de Inquérito à recapitalização e atos de gestão da Caixa Geral de Depósitos. O ex-administrador da Caixa, que atualmente cumpre pena de prisão de prisão de cinco anos de prisão no âmbito do processo Face Oculta, vai ao parlamento para ser ouvido pelos deputados a 14 de junho, às 14h30, disse ao Observador um dos deputados da Comissão.

Armando Vara foi nomeado administrador da Caixa Geral de Depósitos em 2006, para a equipa presidida por Carlos Santos Ferreira, tendo depois ambos transitado para o BCP em 2008. Além do caso Face Oculta em que foi condenado a prisão (cumpre pena em Évora), Armando Vara também é arguido no processo Operação Marquês, juntamente com o ex-primeiro-ministro José Sócrates (que vai responder à comissão por escrito) e outras 26 personalidades.

No processo Operação Marquês, Armando Vara responde por dois crimes de branqueamento de capitais, um de corrupção passiva de titular de cargo político e dois de fraude fiscal qualificada. Este caso teve início há mais de cinco anos e investigou a alegada prática de quase duas centenas de crimes de natureza económico-financeira.

Dois arguidos da Operação Marquês, Diogo Gaspar Ferreira e Joaquim Barroca, já foram ouvidos nesta comissão parlamentar de inquérito. Entre os 28 arguidos da Operação Marquês estão Carlos Santos Silva, Henrique Granadeiro, Zeinal Bava, Armando Vara, Bárbara Vara, Joaquim Barroca, Helder Bataglia, Rui Mão de Ferro e Gonçalo Ferreira, empresas do grupo Lena (Lena SGPS, LEC SGPS e LEC SA) e a sociedade Vale do Lobo Resorts Turísticos de Luxo.

A semana em que é ouvido Armando Vara arranca com audições a 11 de junho. Na terça-feira, 11, os deputados ouvem António Vieira Monteiro (9h30), antigo vice-presidente do banco. Vieira Monteiro tinha a tutela da direção financeira do banco público quando foi aprovada a contratação de um produto complexo com o Crédit Suisse que veio gerar perdas de 340 milhões de euros, conhecido como Boats Caravela.

A audição foi pedida por um requerimento apresentado pelos socialistas que chamam o presidente não executivo do conselho de administração do Santander Totta na comissão parlamentar de inquérito à Caixa depois da audição a Tomás Correia, que fez parte da administração da Caixa quando essa operação foi aprovada no final de 1999.

No mesmo dia é ouvido também o antigo administrador do BCP Filipe Pinhal (15 horas). Na sua polémica audição de 10 de maio, o empresário madeirense Joe Berardo assegurou aos deputados que foi Filipe Pinhal quem lhe sugeriu fazer um crédito na Caixa para comprar ações do BCP, uma vez que o banco então liderado por Paulo Teixeira Pinto não podia financiar compra de ações próprias.

Na semana seguinte, a 17 de junho é ouvido – pela segunda vez nesta CPI – o ex-diretor de grandes empresas da Caixa Geral de Depósitos (CGD) José Pedro Cabral dos Santos. Na sua primeira passagem pelo parlamento, a 24 de abril, o antigo responsável disse que o empresário Joe Berardo não teve um tratamento privilegiado no banco público. Entre 2006 e 2008 Berardo obteve créditos de quase 400 milhões de euros dando como garantia as ações do BCP a que se destinava o empréstimo e sem ter de dar aval pessoal. Também não chegou a dar como garantia a sua coleção de arte, avaliada em mais de 315 milhões de euros, pelo que a Caixa ainda reclama a execução de património do comendadorpara receber esse montante.

“Que eu conheça, a ​​​​​​​Metalgest e a Fundação José Berardo nunca tiveram qualquer tipo de privilégio de tratamento na Caixa, muito menos um tratamento à margem das regras”, disse o ex-diretor na sua intervenção na comissão.

Um dia depois os deputados ouvem, novamente, o ex-presidente da CGD Faria de Oliveira (9h30) e o ex-ministro das Finanças Teixeira dos Santos, o homem apontado como tendo convidado Armando Vara para administrador da Caixa.

A mesma fonte da Comissão disse ainda ao Observador que foram feitos vários pedidos de resposta por escrito: Almerindo Marques, José Sócrates (que tem essa prorrogativa por ser ex-primeiro-ministro), João Salgueiro e a Comissão de Ética do Banco de Portugal. Ainda está em dúvida se o antigo vice-presidente da CGD Maldonado Gonelha responderá por escrito.