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Bangladesh. 16 pessoas acusadas de queimarem viva jovem que denunciou assédio sexual

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Nusrat Jahan Rafi tinha 19 anos quando foi queimada viva por ter denunciado o diretor da sua escola por assédio sexual. Autoridades ouviram 92 pessoas e pedem pena máxima para os suspeitos.

AFP/Getty Images

As autoridades judiciais do Bangladesh acusaram esta quarta-feira 16 pessoas pela morte de Nusrat Jahan Rafi, uma estudante de 19 anos que foi queimada viva na sua escola no Bangladesh depois de denunciar o diretor por assédio sexual. O diretor da escola está entre os acusados do crime e, entretanto, confessou em tribunal que foi ele quem planeou a morte da jovem, conta a BBC.

Segundo as autoridades, o assassinato de Nusrat, que morreu cinco dias depois com queimaduras em 80% do corpo, foi coordenado pelo diretor da escola a partir da prisão, depois de a jovem se ter recusado a retirar as acusações de assédio que tinha feito contra ele. Foi, nas palavras da polícia, tudo preparado através de um “plano militar”. Banaj Kumar Majumder, chefe da polícia de investigação, confirmou que as acusações foram apresentadas com base “nos testemunhos de 92 pessoas” e que as autoridades defendem “a aplicação de pena máxima”, ou seja, pena de morte.

O caso chocou o país e originou protestos em massa no Bangladesh, onde muitas das vítimas de assédio sexual se mantêm em silêncio com medo de repressões da sociedade e da família. No entanto, Nusrat denunciou o crime a 27 de março junto dos seus familiares e da polícia, fazendo deste um caso diferente. A jovem defendeu que o diretor a chamou ao seu gabinete e a tocou de forma inapropriada.

Na polícia, Nusrat Jahan Rafi foi filmada por um agente que a intimidou e, no mesmo dia, o diretor da escola islâmica foi preso, o que piorou a situação da jovem. Pouco tempo depois, um grupo de políticos e estudantes organizou uma manifestação e culpou a rapariga, exigindo a libertação do agressor. Apesar da pressão e do ambiente de violência, no dia 6 de abril, 11 dias depois da agressão, Nusrat Jahan regressou à escola para realizar os exames finais. “Tentei levar a minha irmã à escola, mas fui impedido”, referiu Mahmudul Hasan Noman, irmão da rapariga. Nusrat terá depois fugido e, ajudada por uma colega, subiu ao telhado da escola. Aí, foi cercada por um pequeno grupo de pessoas que exigiu a retirada da queixa ao diretor. Quando Nusrat recusou, os agressores lançaram fogo à jovem com querosene. 

A intenção dos agressores era fazer com que tudo parecesse um suicídio, disse o chefe do Departamento de Investigação da Polícia, Banaj Kumar Majumder. No entanto, e depois de o grupo ter fugido, Nusrat foi levada para o hospital. Na ambulância, a rapariga gravou uma declaração com o telemóvel do irmão antes de morrer. “O professor tocou-me. Vou lutar contra este crime até ao meu último suspiro”, ouve-se na gravação. A rapariga identificou ainda os agressores como estudantes da sua escola. Nusrat morreu no dia 10 de abril e milhares de pessoas foram ao seu funeral, na pequena cidade de Feni.

Entre os 16 acusados estão dois políticos locais do partido governante da Liga Awami, que ocupavam posições de destaque naquela escola, revelou a BBC, acrescentando que 12 dos suspeitos já confessaram terem participado no crime.

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