Bob Iger, CEO da The Walt Disney Company, admitiu que a empresa poderá deixar de filmar na Geórgia caso a lei anti-aborto aprovada naquele estado norte-americano seja implementada. Em entrevista à agência de notícias Reuters, Iger disse esta quarta-feira que a lei poderá fazer com que muitas pessoas contratadas pela Disney não queiram trabalhar na Geórgia.

O governador da Geórgia, o republicano Brian Kemp, assinou a legislação no início no mês, aprovando assim uma lei que proíbe o aborto a partir do momento em que se deteta o batimento cardíaco de um feto humano, isto é, por volta das seis semanas (está previsto a lei tornar-se efetiva a 1 de janeiro de 2020). A lei em causa permite que as autoridades estaduais processem mulheres que procurem fazer abortos noutros estados, podendo puni-las com 10 anos de prisão.

Uma situação idêntica acontece no estado do Alabama que também aprovou um diploma que proíbe o aborto naquele estado em qualquer fase de gravidez — casos de violação ou incesto incluídos.

A Disney tem filmado várias produções televisivas e filmes na Geórgia, incluindo “Pantera Negra” e “Vingadores: Endgame”, devido aos benefícios fiscais concedidos por aquele estado. A indústria cinematográfica é agora responsável pela criação de 92 mil trabalhos na Geórgia, sendo que cerca de 455 produções foram filmadas neste estado só em 2018, de acordo com o The Guardian.

“Se se tornar lei, será muito difícil continuar a produzir lá”, disse Bob Iger, cujas citações já chegaram a diferentes meios da imprensa internacional. “Acho que muitas pessoas que trabalham para nós não vão querer trabalhar lá, e teremos de atender aos seus desejos nesse sentido. Neste momentos a observar [como as coisas se desenrolam] com muito cuidado”, continuou.

Caso a lei se torne efetiva, Bob Iger não vê como será “prático” continuar a filmar na Geórgia.