“Godzilla II: Rei dos Monstros”

Se, apesar do seu gigantismo, ainda podíamos encontrar no primeiro “Godzilla”, realizado por Gareth Edwards (2014), algum nexo de história e algum sentido cinematográfico, o mesmo já não acontece neste “Godzilla II: Rei dos Monstros”, de Michael Dougherty, um filme sem o menor tino narrativo ou lógica interna, e completamente tomado de assalto pelos efeitos digitais, que não dá um momento de descanso ao espectador. Além de Godzilla, a fita convoca todo o restante bestiário mutante nascido nos estúdios japoneses Toho nos anos 50 e 60, de Rodan a Ghidorah, passando por Mothra, metendo ainda ao barulho uma civilização ancestral submersa, a teoria da Terra Oca e os deuses antigos que afinal eram monstros e não astronautas como o outro dizia. Mas é tão descomunal e tonitruante como vazia e cansativa.

“Rocketman”

Depois de “Bohemian Rhapsody”, sobre os Queen e Freddie Mercury, eis agora “Rocketman”, assinado pelo ator e realizador britânico Dexter Fletcher e com Taron Egerton no papel de Reginald Kenneth Dwight, aliás Elton John (que também surge como produtor executivo do filme). É uma biografia do autor de “Goodbye, Yellow Brick Road” em jeito de fantasia musical, contada em “flashback” pelo próprio Elton numa reunião dos Alcoólicos Anónimos, abrangendo a sua infância, os estudos na Royal Academy of Music, a parceria de sucesso com Bernie Taupin, o seu combate com a depressão, o abuso da bebida e das drogas e a aceitação da sua orientação sexual. No elenco de “Rocketman” surgem ainda Jamie Bell, John Madden, Bryce Dallas Howard, Gemma Jones ou Tate Donovan. Egerton canta todas as canções do filme.

“Verão”

O realizador e encenador russo Kiril Serebrennikov evoca a sua juventude, e a sua geração, na Leninegrado do princípio dos anos 80, pouco antes da morte de Leonid Brejnev, bem como o que significava ouvir e tocar música pop/rock sob o peso de todos os constrangimentos, de todos os preconceitos e de todas repressões características de um regime comunista. O filme centra-se nos dois grupos mais populares dessa altura na URSS, os Zoopark, liderados pelo carismático, “cool” e prudente Mike Naumenko (Roman Bilyk), sempre com os seus óculos escuros à Lou Reed, casado com a bonita e compreensiva Natacha (Irina Starshenbaum) , de quem tem um bebé, e os Kino, do aplicado e intransigente Viktor Tsoi (Teo Yoo). “Verão” foi escolhido como filme da semana pelo Observador, e pode ler a crítica aqui.