A época do FC Porto no andebol, ou pelo menos a nova identidade de jogo trabalhada pelo sueco Magnus Andersson, pode ser dividida em dois grandes momentos: primeiro, os dragões conseguiram destacar-se em termos ofensivos, com um jogo rápido e com muitos golos que causava mossa nos adversários; depois, tornaram-se também uma equipa capaz de defender bem, que fazia valer as suas torres na zona central (Salina, Alexis Borges, Ángel Hernández, Iturriza…) e a rapidez dos seus pontas a arriscar as interceções de bola para condicionar e muito o ataque organizado dos adversários que encontrava pela frente. No final de uma temporada longa que chegou agora ao fim, esse crescimento valeu uma época histórica — que culminou este domingo na conquista da Taça de Portugal, após vitória na final frente ao Águas Santas (31-30).

A primeira decisão chegou nas competições europeias. No atual formato, o FC Porto tornou-se a primeira equipa portuguesa a conseguir alcançar a Final Four da Taça EHF após uma fase de grupos só com vitórias e uma emocionante eliminatória com os franceses do Saint Raphaël decidida no Dragão Caixa que carimbou o feito. Uma má entrada na meia-final com os germânicos do Füchse Berlin acabou por condicionar a possibilidade de alcançar o encontro decisivo com o favorito THW Kiel (que viria mesmo a ganhar a prova) mas sobrou o terceiro lugar ganho diante dos dinamarqueses do Holstebro.

Seguiu-se o Campeonato. Depois de ter concluído a fase regular com os mesmos pontos do que o Sporting tendo ainda o outro rival Benfica por perto, uma entrada fortíssima nos dez encontros decisivos com oito triunfos consecutivos (incluindo os clássicos com leões e águias no Dragão Caixa) permitiu à equipa azul e branca carimbar o regresso aos triunfos na principal prova nacional com uma goleada no Funchal frente ao Madeira SAD (29-20), aproveitando ainda os deslizes dos adversários diretos que foram deixando pontos em encontros onde partiam como teoricamente favoritos. Com a vitória, que nos três anos anteriores tinha sido ganho por ABC (um) e Sporting (dois), o FC Porto alcançou o 21.º troféu, mais dois do que os leões.

Agora, a Taça de Portugal. Após eliminar o Sporting nos oitavos-de-final da competição, uma eliminatória onde também o Benfica caíria frent ao ABC (sendo que os minhotos acabariam depois por falhar o acesso às meias-finais), o FC Porto ficou com um caminho menos complicado para voltar aos triunfos numa prova que não ganhava desde 2007, batendo o Póvoa por 29-20 antes do encontro decisivo com o Águas Santas neste domingo que confirmou não só o oitavo troféu na competição mas também a primeira “dobradinha” de sempre do clube no andebol, tornando ainda mais histórica esta época de 2018/19.

Apesar da boa oposição do Águas Santas, com António Campos em destaque na baliza e o central Pedro Cruz como principal referência em termos ofensivos, o FC Porto teve 30 minutos iniciais fortíssimos, com Quintana inspirado entre os postes e André Gomes e Diogo Branquinho (após um bom início também de Miguel Martins e Ángel Hernández) a materializarem o bom jogo defensivo dos azuis e brancos, que nem por terem mais exclusões (6-2 no primeiro tempo) perderam o domínio da partida.

Os sete golos de vantagem ao intervalo (18-11) praticamente sentenciavam o encontro mas o conjunto de José António Silva, que já tinha conseguido surpreender o Sporting na fase final do Campeonato (e com o Benfica perdeu nos últimos segundos), nunca se dá por vencida e tudo mudou no segundo tempo: a melhoria dos maiatos, perante um desacelerar demasiado cedo dos portistas, levou o jogo para o empate nos últimos minutos, com Fábio Magalhães, um dos principais reforços na presente temporada, a fazer o 31-30 a pouco mais de um segundo do final, garantindo assim a Taça de Portugal.