Depois da vitória do Sporting na Liga Europeia e do triunfo do FC Porto no Campeonato Nacional, esta Final Four da Taça de Portugal era encarada por Oliveirense e Benfica como uma última oportunidade de “salvar” a época. Nas meias-finais, ambos cumpriram: o conjunto de Oliveira de Azeméis, que organizou esta parte derradeira da competição, venceu o Riba d’Ave por 4-2, ao passo que os encarnados golearam o rival lisboeta por 7-3 numa das melhores exibições da época. Este domingo, no encontro decisivo, a equipa da casa foi superior e conquistou o troféu com uma vitória por 5-2.

Este foi também um jogo especial para Marc Torra, antigo avançado de Vic e Barcelona que passou um ano no Benfica (por sinal uma época especial, ao conquistar a Liga Europeia numa final na Luz… diante da Oliveirense), voltou a Espanha (Reus), reforçou a Oliveirense e sofreu na parte final da temporada um enorme susto que o afastou quase um mês dos rinques, depois de lhe ter sido diagnosticada uma miocardite. “Vou fazer tudo para estar em pista mas em coisas do coração quem tem a última palavra é o médico. A Taça é o melhor desfecho? Sem dúvida. Depois de uma época complicada, seria a melhor forma de agradecer”, tinha referido na antecâmara desta Final Four ao jornal O Jogo. Esta noite, voltou a ser determinante.

O espanhol, que marcara dois golos na reviravolta da Oliveirense na meia-final com o Riba d’Ave, inaugurou o marcador de penálti (7′) num encontro que começou equilibrado mas que teve no golo do conjunto visitado por Jorge Silva, num remate fortíssimo de meia distância sem hipóteses para Pedro Henriques (15′). Alejandro Domínguez pediu então um desconto de tempo que conseguiu inverter a tendência da partida, com o Benfica a chegar mesmo ao golo por Ordoñez que acabaria por ser anulado por ter tocado com o patim antes do toque final (decisão que motivou muitos protestos do banco encarnado) e a reduzir a três minutos do final da primeira parte, numa saída rápida de 3×2 com conclusão de Nicolía. As águias arriscavam para chegar ainda ao empate antes do intervalo, subiam as linhas defensivas, causavam dificuldades à Oliveirense mas seriam mesmo os visitados a chegarem ao 3-1, com Xavi Barroso a sair dessa zona de pressão para surgir isolado em frente a Pedro Henriques.

Percebia-se que os primeiros minutos da segunda parte seriam determinantes para o resultado final no jogo decisivo da Taça de Portugal, à semelhança do que tinha acontecido nas duas meias-finais da véspera, e foi nesse período que a experiência da formação de Oliveira de Azeméis conseguiu agarrar o encontro, chegando mesmo ao 4-1 de novo por Marc Torra (30′) e vendo essa vantagem guardada da melhor forma por um inspirado Xavier Puigbi, um dos melhores do encontro. Entre três livres diretos falhados (Torra, Xavi Barroso e Lucas Ordoñez), Nicolia, que viu dois azuis nos últimos quatro minutos de jogo, reduziu para 4-2 de penálti a 41 segundos do final mas Jordi Bargalló, de livre direto, fez o 5-2 final 20 segundos depois.

Com este troféu, o conjunto de Renato Garrido somou a quarta Taça de Portugal do seu historial (as outras foram em 1997, 2011 e 2012), igualando o registo de Óquei de Barcelos e Sporting e ficando apenas atrás dos dois grandes dominadores nacionais da competição: o FC Porto, que venceu 17 vezes a prova (incluindo as últimas três edições), e o Benfica, com 15. Antes, o conjunto de Oliveira de Azeméis terminou o Campeonato no segundo lugar e foi afastado nos quartos da Liga Europeia… com o Benfica. Já os encarnados, que trocaram de treinador a meio da época (saiu Pedro Nunes, entrou Alejandro Domínguez), tiveram a terceira temporada consecutiva sem troféus nacionais, somando apenas uma Taça Intercontinental desde 2016, ano em que ganharam não só o Campeonato Nacional mas também a Liga Europeia na supracitada final realizada na Luz com a Oliveirense.