“A Veronica era uma guerreira, uma lutadora nata que sempre se levantou. Teve maus momentos na vida, mas nunca se deixava derrubar e sempre superava tudo”. Israel, um amigo de longa data de Veronica, a mulher que se suicidou depois de os colegas de trabalho terem partilhado pelo WhatsApp um vídeo seu de teor sexual, ainda está incrédulo com o que aconteceu. Os dois conheciam-se desde os seis anos de idade e cresceram num pequeno bairro de Madrid, em Torrejon de Arodz. E precisamente por conhecer bem Veronica é que Israel explica que nada previa o desfecho que a sua história teve. “Era aberta, sorridente, divertida…a mulher mais forte que conheci. Nada nos indicava o que poderia acontecer. Não tem sentido”, explicou, citado pelo El Mundo.

Foi na pequena localidade de Madrid que Veronica cresceu, juntamente com a sua avó, a mãe e o irmão. “Sempre foi muito bonita, loira, magra e muito aberta às pessoas”, descreve Israel, acrescentando que houve alturas em que a amiga chegou a ser colocada de parte do seu grupo “por inveja”, “mas ela nunca se ia abaixo” e tinha logo resposta para essas situações. “Vocês não me querem? Então eu procuro outros amigos“, dizia.

Os dois amigos acabaram por perder o rasto um do outro quando Veronica se mudou para Alcali de Henares, com o sonho de uma vida mais estável. Aos 19 anos Veronica começou a trabalhar na fábrica de camiões da Iveco em Madrid como operadora, tendo mais tarde chegado à secção de Eixos e Pontes. Ao longo desse tempo, nada indicava que houvesse uma má relação com os seus colegas de trabalho. E prova disso foi quando em 2012, Veronica fez seis anos na fábrica e apareceu na revista da empresa. De macacão azul e cinzento, um colete refletor e acompanhada por 27 colegas — 23 homens e quatro mulheres — sorridentes.

“Trabalhar com bons companheiros faz com que o dia seja mais agradável”, disse na altura na entrevista, acrescentando ainda que apesar de a empresa “estar numa situação difícil” provocada pela crise, tinha “a sorte de continuar a trabalhar e a melhorar”.

Israel voltou a encontrar Veronica em 2014, quando esta tinha 27 anos, era casada com Daniel, tinha tido o seu primeiro filho e um emprego fixo. “Eles convidaram-me para jantar na casa deles em Alcalá e ela estava como sempre: muito simpática e também muito animada. Eles pareciam super felizes“, revelou o amigo de Veronica.

Sabe-se agora que Veronica fez, no total, cinco vídeos de teor sexual e que há, pelo menos, três homens que os têm em sua posse, avança o El Español. As autoridades tentam agora averiguar qual dos três terá difundido o ficheiro que levou ao suicídio da mulher.

As primeiras informações davam conta de que o vídeo íntimo de Veronica divulgado terá sido gravado há cinco anos entre a mulher e o ex-namorado. Depois da relação terminar, Veronica casou mas nunca contou ao marido da existência do filme erótico. Há um mês, vários colegas começaram a apontá-la — “É aquela ali!” — como a protagonista das imagens, o que a levou a fazer queixa aos Recursos Humanos da empresa, que não tomaram qualquer medida concreta. Veronica, de 32 anos, começou a sentir a pressão, tanto dos colegas como com o receio de que o marido descobrisse as imagens.

No fim de semana passado tudo o que mais temia aconteceu: a cunhada deu a conhecer o vídeo ao seu marido, o que levou ao seu suicídio. “Quando o marido descobriu, caíu-lhe o mundo”, descreveu uma amiga, Susana Martín, acrescentando que, na altura em que a mulher soube o que aconteceu, “teve de sair porque não aguentava a pressão de ambos: na fábrica e no seu ambiente familiar”.

Caso Verónica. “Todos podemos ser as pessoas que partilham o vídeo, comentam e não fazem nada”

O El Mundo acrescenta ainda que o marido de Veronica admitiu que teve uma discussão com a mulher naquele dia, onde terá ameaçado com o divórcio e a custódia dos dois filhos. No dia 25 de maio, quando Daniel estava fora de casa com os filhos, Verónica pôs fim à sua vida. O seu ex-namorado entregou-se às autoridades na quinta-feira, mas saiu em liberdade sem acusações no próprio dia.