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Brexit pode bloquear acesso do Reino Unido a um dos maiores fundos para investigação científica do mundo

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Prestes a abandonar a UE, o Reino Unido pode perder acesso a um fundo de 112 mil milhões de euros. "Seria um rude golpe para a ciência", diz um dos maiores investigadores do Reino Unido.

O geneticista britânico venceu o Nobel da Medicina em 2001

Getty Images

Um dos maiores e mais prestigiados investigadores ingleses alertou para a possibilidade de a ciência do Reino Unido ser atingida por um “rude golpe”. Paul Nurse, que em 2001 venceu o Prémio Nobel de Fisiologia ou Medicina, diz que o Reino Unido pode perder o acesso a um dos maiores fundos para investigação científica do mundo se abandonar a União Europeia, noticia o The Guardian.

O programa The Horizon Europe – que tem uma duração de sete anos – é financiado pela União Europeia e está avaliado em 100 mil milhões de libras (cerca de 112 mil milhões de euros). Os investigadores britânicos vão perder este dinheiro se o Governo não negociar um acordo de acesso ao fundo nos próximos meses, em resultado do Brexit.

Sir Paul Nurse, que também gere o Instituto Francis Crick, em Londres, diz que sem o programa o Reino Unido vai deixar de ser uma das nações líderes a nível mundial na investigação científica.

Há três grandes potências científicas no mundo: Europa, Estados Unidos e China. O Reino Unido tem um papel primordial na Europa e vamos perder essa liderança mundial na ciência se deixarmos de fazer parte do sistema europeu. Se os cientistas britânicos não tiverem acesso a fundos da Europa, a ciência no Reino Unido vai sem sombra de dúvidas sofrer”, garantiu o investigador ao The Guardian.

O programa The Horizon Europe vai constituir equipas de cientistas de renome mundial para trabalharem em pesquisas sobre cancro, cidades inteligentes e sem emissões de carbono, qualidade de alimentos, poluição nos oceanos e alterações climáticas. “Ser excluído destes importantes trabalhos seria um rude golpe para a ciência do Reino Unido”, confessa Nurse.

O Reino Unido paga atualmente cerca de mil milhões de libras (cerca de 1.13 milhões de euros) ao programa europeu e recebe em troca 1.5 mil milhões de libras (cerca de 1.7 mil milhões de euros) em garantias de fundos para pesquisa científica. O Horizon Europe tem início marcado para janeiro de 2021 e vários estados que não pertencem à União Europeia também já concorreram para terem acesso a este dinheiro.

Numa altura em que o Reino Unido se prepara para abandonar a União Europeia, o Departamento de Energia do país pediu ao diretor do Instituto Alan Turing, Adrian Smith, para analisar e recomendar fundos alternativos ao Governo.

O Instituto Francis Crick fez entretanto uma sondagem com os líderes de grupos de investigação científica. De um total de 74 cientistas inquiridos, 72 – ou seja, 97% -, responderam que querem aderir ao programa Horizon Europe. Os outros dois dizem não ter preferência.

O Instituto de Nurse apela ao Governo britânico para garantir acesso ao fundo “o mais rápido possível”. No entanto, os investigadores que lideram estes grupos duvidam que o Reino Unida consiga garantir uma alternativa credível ao programa europeu num prazo razoável.

Sir Paul Nurse acrescenta ainda que o mais importante nestes programas não é o dinheiro, mas sim a discussão e debates a que estas investigações podem levar.

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