Li Zhi é um cantor rock chinês, de 40 anos, autor de conhecidos títulos como “A Praça”, “A Primavera de 1990” e “A Deusa”. De acordo com a Associated Press, citada no South China Morning Post, o cantor desapareceu da vista do público há três meses e nem nas redes sociais oficiais é possível ouvi-lo.

O desaparecimento do cantor coincidiu com o aproximar do trigésimo aniversário da data do massacre na Praça de Tiananmen, que o Partido Comunista Chinês quer esquecer. Os títulos de várias músicas mais conhecidas de Li Zhi dizem respeito aos protestos na Praça da Paz Celestial. O cantor tem utilizado ao longo dos anos a sua arte para fazer o contrário daquilo que o PCC pretende: recordar o massacre que teve lugar na noite de 3 para 4 de junho de 1989.

“Agora a Praça é o meu túmulo”, “Tudo é apenas um sonho”, são alguns dos versos que compõem a música “A Praça”, uma das muitas que deixou de ser possível ouvir através dos canais oficiais do cantor na internet. As redes sociais de Li Zhi foram também eliminadas após o cancelamento da digressão, sem qualquer justificação.

A 20 de fevereiro, na conta oficial do artista no Weibo foi publicada uma fotografia do cantor com a sua banda, na frente de um camião, prontos para se fazer à estrada para os concertos que estavam, até então, agendados.

Dois dias depois a publicação foi substituída por outra que dava conta de “problemas de saúde” que impediriam a realização dos concertos. Foram devolvidos 18 mil bilhetes aos fãs.

De acordo com o South China Morning Post o cantor e a agência que o representa não responderam a “repetidos pedidos de entrevista” e continua sem ser claro o que aconteceu ao cantor e qual o seu paradeiro.

A Chinese Human Rights Defenders afirma ainda há mais 13 pessoas que foram “detidas” ou “retiradas das suas casas”, numa ligação ao aniversário dos acontecimentos em Tiananmen.