Cerca de duas centenas de pessoas, entre familiares, amigos e governantes, marcaram presença, na Sé Catedral do Porto, nas cerimónias fúnebres de homenagem à escritora Agustina Bessa-Luís, que morreu na segunda-feira, aos 96 anos.

A missa de corpo presente teve início cerca das 16:00 e demorou aproximadamente uma hora, tendo sido presidida pelo bispo do Porto, Manuel Linda, na presença do Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, e da ministra da Cultura, Graça Fonseca.

Numa homilia emotiva, na qual recordou passagens marcantes da obra de Agustina Bessa-Luís e descreveu a religiosidade da escritora natural de Vila Meã, Amarante, Manuel Linda acabou com agradecimentos. “Obrigado meu Deus que nos deste uma pessoa com tão alta categoria intelectual, religiosa e cristã, e obrigada Agustina por esta extraordinária lição de teologia que a tua vida acabou por nos dar”, disse o bispo do Porto.

Manuel Linda referiu que “a condição humana” é uma das “marcas” da “vastíssima obra literária” de Agustina Bessa-Luís, sobre a qual disse saber que “se prostrava muitas vezes sobre um oratório que tinha em casa”.

As cerimónias fúnebres de homenagem a Agustina Bessa-Luís terminaram com o caixão a sair da Sé Catedral, cerca das 17:15, debaixo de um coro de aplausos e sob o olhar concentrado de Marcelo Rebelo de Sousa, ladeado pelo presidente da Câmara portuense, o independente Rui Moreira.

O cortejo fúnebre seguiu para o cemitério do Peso da Régua, cenário do funeral da escritora, numa cerimónia reservada à família.

“Agustina está no Panteão do coração de todos os portugueses”

Para o Presidente da República, que marcou presença nesta despedida, Agustina Bessa-Luís “está no Panteão de todos os portugueses”, recordando-a como “um génio que soube retratar as mudanças de Portugal”.

“No campo literário, ela fez tudo. Fez romance excecional, fez biografia, fez teatro, fez crónica, fez tudo. Aquilo que fica em termos de génio é ter sabido retratar, por dentro essa mudança de Portugal, que não era apenas falar de como as pessoas eram, era falar de como a natureza humana é sempre”, disse Marcelo Rebelo de Sousa.

O Presidente da República falava aos jornalistas à saída da Sé Catedral do Porto onde assistiu, esta tarde, às cerimónias fúnebres de homenagem a Agustina Bessa-Luís, cujo corpo seguiu para o cemitério de Peso da Régua onde decorrerá o funeral, numa cerimónia reservada à família da escritora.

Convidado a dizer se deseja ver Agustina Bessa-Luís no Panteão Nacional, Marcelo Rebelo de Sousa disse que esta é “uma decisão que depende da família, dos deputados” e perguntou: “Como é que Agustina gostaria que fosse?”. “Neste momento estamos a prestar-lhe homenagem, e ela está no Panteão do coração de todos os portugueses”, afirmou.