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Escolas preparam alunos para um “mundo que já não existe”

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Deixa de importar aquilo que sabemos e passa a importar o que "fazemos com a informação que temos". O conhecimento está "à distância de um telemóvel" e a escola tem de adaptar-se à nova realidade.

LUSA

O futuro das crianças que se iniciam agora na escola é uma incógnita mas, mesmo assim, continuam a ser ensinadas através de “um programa curricular pensado há muitos anos”, criticou Rod Allen, mentor e co-autor de uma profunda reforma curricular no Canadá, que esta terça-feira esteve no Encontro Nacional de Autonomia e Flexibilidade Curricular, a decorrer na Figueira da Foz.

A mudança no Canadá surgiu quando se aperceberam que estavam “a preparar os alunos para um mundo que já não existia”, recordou o ex-vice-ministro adjunto da província canadiana da Colúmbia Britânica.

“Hoje, se queremos saber alguma coisa temos os telemóveis que sabem muito mais do que nós”, ironizou, explicando que do outro lado do Atlântico decidiram mudar o enfoque: “Já não é importante o que sabemos, mas sim o que fazemos com o que sabemos”.

Deixou de fazer sentido a ideia de que a escola servia para debitar informação que era memorizada até ao dia do exame e rapidamente esquecida para decorar outra matéria. O foco transferiu-se do “saber” para o “perceber”.

“Não estamos formatados para aprender em fábricas”, defendeu Rod Allen, explicando que quando um professor ensina apontando para a média da sala de aula acaba por “perder metade da turma”.

A diversidade de estudantes obriga a um ensino que permita aos alunos “explorar paixões e vontades” numa escola onde a relação entre professores e estudantes mudou, afirmou.

“Temos professores excelentes que fazem magia na sala de aula”, disse o especialista, explicando que na sua província já não há hierarquia entre docentes e alunos: “São todos iguais, são todos aprendizes, só que uns são mais velhos do que outros”.

Para o sucesso do novo programa, envolveram os alunos e deixaram que participassem na sua própria aprendizagem, à semelhança do que aconteceu este ano em Portugal.

A escola passou a preocupar-se em ensinar a trabalhar em equipa, dar ferramentas para que os alunos tivessem capacidade de resistência ou conseguirem resolver um problema, exemplificou Rod Allen.

A aparência da escola também mudou. Houve quem tirasse as secretárias das salas de aula, quem permitisse aos alunos aprender em todos os espaços da escola ou optasse por sair para fora dos muros do recinto escolar para aprender.

“Pode parecer o caos, mas é desafiante”, explicou, acrescentando que também os manuais escolares deixaram de ser a peça chave da sala de aula.

A ideia é “alterar as escolas para que deixem de ser fábricas, mas sim sítios de aprendizagem”, lembrou o especialista que acredita que “todos os alunos podem aprender” e “ninguém é deixado para trás”.

Esta ideia também foi defendida pela secretária de estado adjunta e da Educação, Alexandra Leitão, que hoje apontou o programa de autonomia e flexibilidade curricular como uma das medidas do Governo que veio permitir uma “escola mais inclusiva”, mas também “mais exigente”.

O programa de flexibilidade garante que a “escola não deixa ninguém para trás”, acrescentou Alexandra Leitão, sublinhando a confiança nas escolas e a “capacidade e motivação dos professores” que tornaram realidade o primeiro ano de aplicação do programa de autonomia e flexibilidade curricular em todas as escolas.

Quando o novo programa curricular foi posto em prática no Canadá “houve muita gente preocupada”, mas “os resultados dos alunos melhoraram”, garantiu Rod Allen.

Por cá, também há quem se mostre receoso em relação às aprendizagens, mas o grupo de alunos que hoje esteve na conferência na Figueira da Foz garante que aprende mais agora e diz preferir esta “nova escola”, com mais liberdade, mas também mais responsabilidade.

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