O objetivo é proibir aquilo que o primeiro-ministro Francês considera uma “aberração ecológica”. “É um desperdício que choca”, afirmou Edouard Philippe e recordou que “as questões do ambiente não são de amanhã, do futuro, são de hoje”.

Depois de, em 2016, ter proibido que os supermercados locais deitassem fora a comida que não era vendida, a França prepara-se agora para tentar dar um passo mais além.

O objetivo é proibir a destruição de todos os artigos novos que não são vendidos. E por artigos novos entenda-se: eletrodomésticos, produtos de cosmética, assessórios de moda, brinquedos… Enfim, tudo o que possa imaginar daquelas coleções que são descontinuadas e desaparecem das prateleiras das lojas.

“Embora saibamos que temos de fazer uma correta utilização dos recursos naturais este desperdício choca”, acrescentou o primeiro-ministro gaulês.

Esta medida, que ainda não foi votada, mas que integrará um plano mais alargado e ambicioso de economia circular pretende obrigar as marcas a reciclar os produtos, a doá-los, ou a vendê-los a preços mais baixos numa “perspetiva mais social”.

Ainda que não tenha sido aprovada, a proibição foi já divulgada com datas: para os produtos que já têm um projeto de recolha e reciclagem o limite é 2021, para os restantes 2023 será o fim da sua destruição. Serão quatro anos para readaptar as quantidades de artigos produzidos ou para arranjar uma forma de os reaproveitar na sociedade.

“Evitar o excesso de produção e a destruição, protegendo o ambiente” é o objetivo do executivo francês que dá o exemplo do que aconteceu com a implementação da lei de 2016 relativa aos bens alimentares. Nos primeiros meses o número de doações a instituições “explodiu”, mas a tendência foi de diminuição ao longo do tempo, tendo os produtores adaptado a quantidade de produção para evitar as perdas.

“Podemos encontrar um modelo económico viável, mas garantindo que os produtos que não são vendidos não sejam eliminados, mas sim doados, a fim de desenvolver a economia social e solidária”, concretizou o primeiro-ministro francês salientando que é a “primeira vez no mundo” que se faz uma tentativa deste tipo.

“Uma nova etapa na nossa economia e decidimos avançar muito rapidamente” onde o objetivo “não é apenas impedir a destruição de objetos novos”, mas também “lutar mais a montante contra a superprodução de bens”.

Há vários casos de marcas de luxo que queimam milhões de euros em produtos ao longo de anos. De acordo com os dados, a quantidade de produtos destruídos tem aumentado anualmente. No caso da Burberry em 2013, por exemplo, foram incinerados 6 milhões de euros em produtos da marca, cinco vezes menos que em 2017.