120.000 cidadãos checos estão reunidos esta terça-feira em Praga para exigir a demissão do primeiro-ministro do país, Andrej Babiš. A República Checa tem protestado nas últimas semanas contra as políticas de Babiš e o povo acusa o primeiro-ministro de conflito de interesses e fraude, noticia o britânico The Guardian. Esta é a maior manifestação política no país desde 1989, quando protestantes fizeram cair o comunismo na antiga Checoslováquia com a conhecida Revolução de Veludo.

No final da tarde desta terça-feira, a praça encheu em poucos minutos, como mostra uma fotografia de um jornalista local.

A mesma fonte tinha publicado uma fotografia uma hora antes onde era possível ver a chegada dos primeiros manifestantes numa praça ainda vazia.

Imagens áreas de uma televisão local mostram a dimensão da manifestação.

Andrej Babiš, de 64 anos, tornou-se primeiro-ministro da República Checa em 2017. Em abril, foi acusado de uso impróprio de fundos da União Europeia. A polícia recomendou-lhe então que enfrentasse as acusações. Babiš, o segundo homem mais rico da República Checa, respondeu com a demissão do ministro da Justiça do seu Governo e nomeou uma aliada próxima, Marie Benešová.

Andrej Babiš é primeiro-ministro da República Checa desde 2017 e o segundo homem mais rico do país

Recentemente, tornou-se público um relatório preliminar de um auditor da Comissão Europeia que acusa Babiš de conflito de interesse devido à sua ligação com a Agrofert – empresa checa que opera nas grandes indústrias da agricultura, medicamentos e energia e que está em expansão. Esta empresa recebe por sua vez grandes subsídios da União Europeia.

“O Sr. Babiš é o dono das empresas do Grupo Agrofert e, desde fevereiro de 2017, dono dos seus dois fundos, que controla na totalidade. Como tal, tem interesse económico direto no sucesso do Grupo Agrofert”, diz o relatório, citado pelo The Guardian.

O governante é assim acusado de comprometer as suas funções no Governo devido ao seu envolvimento com a Agrofert. Na sequência destas ligações, a República Checa pode agora ser obrigada a pagar milhões de euros em subsídios – depois de Babiš ter tomado várias decisões relativas a orçamentos.

David Ondráčka, diretor da Transparência Internacional na República Checa, diz que os protestos desta terça-feira serão o “último prego no caixão político de Babiš”.

Ele não pode sobreviver a esta pressão pública e a estes relatórios da UE. Ele sabe que os orçamentos da UE e da República Checa não vão continuar a servir como multibanco no qual ele pode levantar dinheiro quando precisa. Nunca se irá render facilmente, mas protestos públicos, ações inteligentes da oposição e pressão institucional adequada acredito que deixará de ser primeiro-ministro”, declarou Ondráčka.

Andrej Babiš desvaloriza as acusações de que é alvo e acusa os manifestantes de organizarem um “complô”. Rejeita o relatório que expõe a sua atuação e também já declarou publicamente que não se irá demitir. Esta terça-feira, o primeiro-ministro disse numa audiência no parlamento checo que o relatório em questão é “um ataque ao país” e afirmou que os fundos não serão devolvidos, noticia a Euronews.

Protestos contra o primeiro-ministro em Praga no dia 21 de maio

As autoridades estimam que a adesão à manifestação desta tarde – que é a quinta nas últimas seis semanas – será histórica. A manifestação ocorre na Praça Wenceslas, cenário dos protestos que há 30 anos puseram fim ao comunismo na antiga Checoslováquia. Há 15 dias, a mesma praça acolheu cerca de 50.000 pessoas que mostraram o seu desagrado contra Babiš. Os organizadores instalaram um sistema de som maior, para chegar a mais pessoas.

A manifestação foi organizada pelo grupo A Million Moments for Democracy. O porta-voz do grupo, Mikuláš Minář, relata que há milhares de pessoas a viajar para Praga de várias cidades de todo o país. Promete ainda organizar eventos maiores se necessário e em locais com capacidade para receber ainda mais protestantes.

Apesar de o primeiro-ministro já ter desvalorizado as acusações, o diretor da Transparência Internacional diz que, no fundo, o primeiro-ministro está incomodado com os protestos.