O vice-presidente da Câmara de Lisboa pediu esta terça-feira desculpa aos deputados municipais por ainda não ter distribuído o contrato celebrado com a Web Summit, justificando que está por acordar com a empresa as cláusulas que entenda ver expurgadas.

“Ainda não temos essa autorização, mas logo que a tenhamos, expurgando aquilo que considerarmos legítimo que seja pedido que seja expurgado pela outra parte, entregaremos esses mesmos documentos”, disse João Paulo Saraiva (Cidadãos por Lisboa, eleito pelo PS), fazendo um “pedido de desculpa à Assembleia Municipal”.

O vice-presidente do executivo lisboeta liderado por Fernando Medina (PS) respondia ao deputado municipal do PSD Luís Newton que, numa declaração política, afirmou que a maioria na câmara “pretende atrair grandes eventos, assina contratos que não divulga, compromete enormes investimentos para expansão de infraestruturas, sem ter um único plano que assegure essa mesma expansão”.

O jornal Público divulgou em maio que uma das cláusulas do acordo celebrado entre a Câmara Municipal de Lisboa e a empresa que organiza a Web Summit, para a realização daquele evento em Portugal até 2028, estabelece a ampliação das instalações onde se realiza o evento, que tem decorrido na FIL, a cargo da autarquia.

Apesar do sigilo do contrato, João Paulo Saraiva considerou que foi objeto de escrutínio, ao ter sido disponibilizado aos vereadores, reconhecendo, contudo, que ainda não recebeu da parte da organização da cimeira tecnológica, de inovação e de empreendedorismo quais são as cláusulas que não quer ver divulgadas e “qual é o fundamento para que elas não possam ser divulgadas” de forma a enviar o documento à Assembleia Municipal, sublinhando que tal está devidamente enquadrado pela legislação que rege aqueles contratos.