A empresa de tecnologia e telecomunicações chinesa Huawei, que Donald Trump e os Estados Unidos consideram uma ameaça, vai desenvolver a rede de nova geração 5G na Rússia. O acordo entre a Huawei e a companhia de telecomunicações russa MTS foi assinado em Moscovo na quarta-feira numa reunião entre o presidente chinês Xi Jinping e Vladimir Putin, avançou a BBC.

O negócio permitirá “desenvolver a tecnologia 5G e o lançamento piloto de redes de quinta geração em 2019-2020” na Rússia, explica a MTS num comunicado emitido na quarta-feira. Ao Observador, a Huawei afirmou através de comunicado que o documento assinado “contempla que as duas empresas desenvolvam o plano de trabalho para 2019-2020, onde a tecnologia e as soluções 5G e IoT [Internet da Coisas, aparelhos conectáveis] serão integradas nas infraestruturas existentes das empresas de telecomunicações”.

Como resultado do nosso relacionamento de longo prazo mutuamente benéfico, a MTS e a Huawei continuam a fortalecer a sua posição nos seus respetivos mercados. O acordo de hoje destina-se a promover o 5G levando a nossa parceria a um novo patamar – ambos impulsionamos a cooperação estratégica entre as duas empresas em alta tecnologia, construindo, assim, uma base para os lançamentos comerciais 5G na Rússia no futuro próximo”, disse em comunicado o presidente da MTS, Alexey Kornya.

O acordo celebrado vai permitir o “desenvolvimento de clusters de testes 5G em segmentos específicos de infraestrutura como comboios de alta velocidade, redes de metro, entre outros”, disse ainda a Huawei.

Guo Ping, presidente do conselho de administração rotativo da Huawei, disse ainda: “Estamos muito satisfeitos por assinar este novo acordo com a MTS, especialmente neste campo de importância vital para o desenvolvimento do 5G (…) Esperamos que os nossos esforços conjuntos ajudem a Rússia a entrar mais cedo na era 5G”.

Quanto a futuros lançamentos de smartphones 5G na Rússia, a Huawei Consumer BG não avançou informações. Em maio, as operadoras britânicas Vodafone e EE suspenderam o lançamento do primeiro smartphone 5G para o arranque este verão das redes 5G no Reino Unido devido à indecisão em relação ao futuro da empresa, apesar de as infraestruturas poderem ainda a vir contar com a tecnologia da empresa chinesa.

No Kremlin, o presidente chinês disse que Putin é “um amigo próximo”. “Vamos fortalecer o apoio mútuo em fatores essenciais”, afirmou o chefe de Estado, sentado ao lado do líder russo. “Avizinham-se medidas de protecionismo, abordagens unilaterais e uma política que force a hegemonia está a tomar lugar cada vez mais”, afirmou ainda Xi Jinping.

O acordo entre China e Rússia surge numa altura em que o executivo de Donald Trump proibiu as empresas norte-americanas de terem acordos com a Huawei. Além do conflito comercial entre a China e a Casa Branca, o presidente norte-americano acusa a Huawei de espiar para Pequim.

O novo acordo que visa desenvolver o 5G na Rússia poderá assim aliviar a Huawei, que está a ser alvo de fortes críticas desde maio. Vários empresas – como a Google ou a Intel- já se afastaram da Huawei devido às declarações de Trump.

De recordar que a relação entre a Rússia e os Estados Unidos também se tem deteriorado nos últimos tempos devido à crise ucraniana e à guerra na Síria. As recentes notícias sobre o envolvimento de Moscovo no resultado das eleições presidenciais norte-americanas de 2016 – onde Trump venceu – também contribuíram para o esfriar das relações entre as duas nações.

O chefe de Estado chinês lembrou ainda que se reuniu com Putin 30 vezes nos últimos seis anos. A visita de três dias de Xi Jinping à Rússia é a oitava desde 2012, refere o The Guardian.