O ministro da Saúde e do Trabalho japonês defendeu que os sapatos de salto alto “são necessários e apropriados” no local de trabalho. A declaração, citada pelo The Guardian, surge depois de uma petição — #KuToo — ter sido submetida no Ministério do Trabalho japonês na passada terça-feira, a qual pretende contrariar a obrigatoriedade de mulheres usarem saltos altos em ambientes de trabalho.

Quando Takumi Nemoto foi questionado sobre esta petição — criada por um grupo de mulheres que pretende que o governo proíba as empresas de poder exigir às suas trabalhadoras, ou às que estejam à procura de emprego, o uso de saltos altos –, o ministro japonês respondeu: “É socialmente aceite como algo que se enquadra no domínio de ser profissionalmente necessário e apropriado.”  

A petição está associada a uma campanha já batizada #KuToo, que o jornal britânico assegura remeter para um trocadilho de palavras: “kutsu”, que significa sapatos, e “kutsuu”, que significa dor. O nome da campanha remete também para o movimento global #MeToo, que surgiu no final de 2017 para combater o assédio sexual em várias indústrias, cinema incluído.

No Japão, o movimento foi lançado pela atriz Yumi Ishikawa e depressa ganhou a adesão de centenas de pessoas, que argumentam que usar saltos altos no Japão é quase uma obrigação para mulheres à procura de trabalho ou a trabalhar em empresas japonesas. Alguns dos apoiantes da campanha defendem ainda, num sentido mais lato, o atenuar do dress code no Japão — a título de exemplo, também no local de trabalho os fatos masculinos são omnipresentes.

Já antes Yumi Ishikawa dissera aos jornalistas que a petição pretende a introdução de leis que impeçam os funcionários de forçar as mulheres a usar saltos altos, encarando essa decisão como uma descriminação sexual ou assédio.

Em maio de 2015, o Festival de Cinema de Cannes viu-se envolvido numa polémica quando impediu que um grupo de mulheres participasse na exibição de um filme por não estarem a usar sapatos de salto alto. Três anos depois, a atriz Kristen Stewart descalçou-se em plena passadeira vermelha em protesto contra o dress code de Cannes — o festival não obriga a usar saltos altos, mas desde a polémica de 2015 que as críticas não pararam.