Para o PCP a solução é apenas uma: reverter a privatização da TAP. O deputado Bruno Dias afirma que é necessário “mais que adaptar a privatização”.  Para os comunistas, a notícia da distribuição de prémios no valor total de 1,171 milhões de euros por 180 funcionários da empresa é “uma medida absolutamente injusta” que “prejudica” a empresa.

Ao Observador, o deputado disse que “este é mais um elemento que demonstra o que é a gestão privada na companhia”, apontando para a necessidade de reverter, na totalidade, a privatização da TAP.

“Tínhamos a demonstração da necessidade de reverter a privatização, não é fazer uma adaptação à privatização. Devia reverter-se e trabalhar no sentido do controlo público”, afirmou criticando a opção do PS quando “manteve o atual grupo económico a gerir a companhia”.

O PCP recorda ainda que “ficou claramente demonstrado” que o anterior governo “privatizou a TAP numa operação que não podia ter acontecido”, quer da parte da venda, quer da parte da compra pelo consórcio e acrescenta que a “atual gestão prejudica a companhia estratégica e que continua a criar riqueza para o país, apesar dos ataques”.

Durante o debate quinzenal desta quinta-feira, no Parlamento, e já depois de o Ministério das Infraestruturas e da Habitação ter emitido um comunicado que dava conta da “quebra de confiança”  na relação entre a TAP e o Estado, o primeiro-ministro reafirmou a “incompatibilidade” da conduta da empresa na atribuição de prémios e “os padrões de sobriedade que se devem exigir”.

Apesar de não ter esclarecido se o PCP pretendia, de alguma forma, analisar o sucedido – recorde-se que o CDS já veio dizer que quer ouvir o ministro das Infraestruturas e da Habitação, Pedro Nuno Santos, e o Conselho de Administração da TAP -, o partido reitera que a sua prioridade “são os trabalhadores que dão tudo por tudo para que a TAP dê o melhor de si e possa progredir e avançar”.