Afinal, há acordo fechado no SIRESP (Sistema Integrado de Redes de Emergência e Segurança de Portugal) ou não? Há 24 dias, a 13 de maio, António Costa disse que as negociações estariam fechadas no espaço de “horas”.

A que se referia o primeiro-ministro ao falar em “negociações”? “A aquisição da posição acionista por parte do Estado”. Ou seja, o Estado – que atualmente detém 33% do SIRESP – quer nacionalizar o sistema. A restante parte do sistema é detida pela PT/Altice.

Esta quinta-feira, também num debate quinzenal, em plenário, o primeiro-ministro deu mais uma achega, mas com uma formulação diferente. Já não falou em negociações “por horas”, mas sim em “acordo fechado”, ainda que não oficializado.

António Costa aproveitou uma pergunta de Assunção Cristas sobre o SIRESP para anunciar que o Governo já fechou um acordo com a Altice para a nacionalização do sistema. Com o outro acionista, a Motorola, “faltam apenas dois detalhes”. Acordos que ainda não foram oficializados, como o primeiro-ministro referiu. Os anúncios geraram nova polémica em escassas horas, com a Altice a falar apenas de um “acordo de princípio”. O CDS viu nas declarações da empresa um desmentido ao primeiro-ministro.

Não era bem. Costa falou em acordo fechado, mas não oficializado. A Altice referiu que já havia “princípio de acordo”. Ambos estão a ver o copo a meio.

Mas horas depois, a Altice baralhou tudo outra vez. Como? Nova data. As negociações “por horas” deram lugar a acordos fechados que não estavam fechados. Agora só estarão na próxima semana, mais concretamente até 13 de junho.

Em declarações à Lusa, fonte oficial da Altice salientou que “há um acordo entre as partes envolvidas sobre as matérias substanciais, sendo que, no atual momento, estão a ser ultimados pelas equipas jurídicas os formalismos necessários à celebração desse mesmo acordo, prevendo as partes a conclusão deste procedimento até à próxima quinta-feira, 13 de junho”.