Rádio Observador

Burla

4 funcionários dos CTT acusados de burla de milhões por venda online de ténis falsos

1.247

Vítimas compravam ténis de marca na internet, mas recebiam caixas vazias ou sapatos velhos. A burla terá ultrapassado os 3 milhões de euros. Acusação aponta 82 arguidos e há mais de mil testemunhas.

Dois dos quatro funcionários dos CTT acusados têm de se apresentar às autoridades todos os meses

Hugo Amaral

O Ministério Público acusou 82 pessoas, a maioria cidadãos marroquinos, pela prática de crimes de associação criminosa, burla qualificada, branqueamento de capitais, falsificação de documentos, venda, circulação ou ocultação de produtos e artigos e corrupção ativa e passiva, avança o jornal Público. Quatro funcionários da CTT estão entre os acusados. Segundo a acusação, vendiam ténis falsos como se fossem verdadeiros. Lesados recebiam caixas vazias ou com chinelos velhos.

Os quatro funcionários dos correios são todos da zona de Leiria, duas mulheres e dois homens. Segundo o Ministério Público, juntaram-se aos outros arguidos, num esquema de burla que ultrapassou mais de três milhões de euros. Alegadamente, foram essenciais para todo o esquema porque facilitavam a criação e manutenção de novos apartados.

De acordo com o Ministério Público, dois dos arguidos, um casal — Tarik H., marroquino, e Alice B., portuguesa — criavam páginas no Instagram e no Facebook com anúncios de ténis de várias marcas a preço de saldo (entre 35 a 70 euros cada par). Por dia, chegavam a ter entre 300 a 500 encomendas e, com a burla a aumentar, juntaram mais pessoas ao esquema. As páginas criadas tinham nomes como ““Ténis Xpto”, “Sapatilhas da moda” ou “Loja da Lili”.

Os funcionários dos CTT criavam, alegadamente, apartados nos Correios e ajudavam o casal a continuar esta burla. Foram criados apartados na Maceira, Marinha Grande, Minde, Caranguejeira, Batalha, Marrazes, Pombal, no concelho de Leiria e em Santarém e Vila Real de Santo António, no Algarve. Além disso, empacotavam o material e geriam as encomendas. Por dia, cada um fazia entre 30 a 50 euros.

Um dos exemplos dados pelo jornal é o de “João C.”, um esteticista de 22 anos, que sempre que cumpria uma tarefa recebia entre 20 e 30 euros, além de bebidas e entradas em discotecas.

Os funcionários dos CTT não ligavam ao acumular de queixas de clientes dos Correios e continuavam a permitir que os arguidos descarregassem encomendas. Além disso, entregavam dinheiro em vales postais sem verificar a assinatura.

Ao todo, a acusação tem mais de 700 páginas e 1088 testemunhos de pessoas que foram enganadas por todo o país. Há quem afirme que pagou 42 euros por um par de ténis Nike, mas recebeu uns usados. Há também quem tenha pago 44 euros por uns ténis Asics, mas recebeu um par de botas de salto alto. Havia de tudo, desde caixas a chegarem vazias a réplicas contrafeitas. Contudo, nunca eram os ténis prometidos.

Para branquear o dinheiro, os arguidos transferiam o que ganhavam para contas no estrangeiro, em Marrocos, e compravam imóveis em nome de familiares.

O Ministério Público quer agora julgar os 82 arguidos. Desde maio de 2018 que 13 pessoas estão em prisão preventiva, dois estão com pulseira eletrónica e outros dois têm de se apresentar mensalmente às autoridades (a dois dos funcionários dos CTT foi aplicada esta medida). Na aplicação das medidas de coação foi considerado que os arguidos podiam continuar a atividade criminosa, fugir ou perturbar o inquérito.

Não queremos ser todos iguais, pois não?

Maio de 2014, nasceu o Observador. Junho de 2019, nasceu a Rádio Observador.

Há cinco anos poucos acreditavam que era possível criar um novo jornal de qualidade em Portugal, ainda por cima só online. Foi possível. Agora chegou a vez da rádio, de novo construída em moldes que rompem com as rotinas e os hábitos estabelecidos.

Nestes anos o caminho do Observador foi feito sem compromissos. Nunca sacrificámos a procura do máximo rigor no nosso jornalismo, tal como nunca abdicámos de uma feroz independência, sem concessões. Ao mesmo tempo não fomos na onda – o Observador quis ser diferente dos outros de órgãos de informação, porque não queremos ser todos iguais, nem pensar todos da mesma maneira, pois não?

Fizemos este caminho passo a passo, contando com os nossos leitores, que todos os meses são mais. E, desde há pouco mais de um ano, com os leitores que são também nossos assinantes. Cada novo passo que damos depende deles, pelo que não temos outra forma de o dizer – se é leitor do Observador, se gosta do Observador, se sente falta do Observador, se acha que o Observador é necessário para que mais ar fresco circule no espaço público da nossa democracia, então dê o pequeno passo de fazer uma assinatura.

Não custa nada – ou custa muito pouco. É só escolher a modalidade de assinaturas Premium que mais lhe convier.

Partilhe
Comente
Sugira
Proponha uma correção, sugira uma pista: mmachado@observador.pt

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Detalhes da assinatura

Esta assinatura permite o acesso ilimitado a todos os artigos do Observador na Web e nas Apps. Os assinantes podem aceder aos artigos Premium utilizando até 3 dispositivos por utilizador.

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Detalhes da assinatura

Esta assinatura permite o acesso ilimitado a todos os artigos do Observador na Web e nas Apps. Os assinantes podem aceder aos artigos Premium utilizando até 3 dispositivos por utilizador.

Só mais um passo

Confirme a sua conta

Para completar o seu registo, confirme a sua conta clicando no link do email que acabámos de lhe enviar. (Pode fechar esta janela.)