No basquetebol como em muitas outras modalidades decididas em sistema de playoff, dificilmente existem dois jogos iguais no arranque de uma série. Bom exemplo disso foi a meia-final do Benfica com o FC Porto, onde houve um primeiro encontro muito equilibrado com triunfo para os encarnados e um segundo sem história onde as águias chegaram a ter vantagens bem acima dos 20 pontos. Também há exceções, como na final do ano passado: a Oliveirense obteve vitórias com histórias muito parecidas em casa frente ao FC Porto antes de fechar o título no Dragão Caixa. Mas não passam disso mesmo, exceções.

Depois de uma vitória no primeiro jogo da final onde os 18 pontos de avanço no período inicial acabaram por ser a chave do triunfo frente ao Benfica (mesmo perante a grande recuperação dos encarnados ao longo da partida), a Oliveirense não conseguiu o mesmo de início de jogo e, chegando ao último parcial empatado a 53, acabou por ceder frente às águias que se revelaram mais experientes e capazes de controlar as emoções na fase decisiva do encontro, ganhando por 81-74 e empatando esta série da final antes dos próximos dois jogos no Pavilhão da Luz, o primeiro já na próxima sexta-feira.

Depois das duas posses de bola iniciais onde a defesa da Oliveirense conseguiu forçar turnovers e converter o 4-0 inicial, o Benfica mostrou que aprendeu a lição do primeiro jogo da final e saltou para a frente com um parcial de 12-0 muito apoiado na inspiração de Fábio Lima (que até triplo com falta conseguiu marcar) e na variação de jogo que permitiu à equipa de Carlos Lisboa ficar menos dependente da eficácia nos tiros exteriores, um dos problemas na primeira parte do encontro de sábado. Os visitados voltaram a conseguir encostar no resultado e o equilíbrio pautou o resto do período inicial, que terminou com apenas um ponto de vantagem para a formação de Oliveira de Azeméis (22-21).

Nos dez minutos seguintes, a Oliveirense ainda conseguiu descolar do resultado em cinco pontos mas o Benfica foi respondendo sempre da melhor forma, apesar da quebra na percentagem de lançamentos das duas equipas que acabou por premiar o aumento da agressividade e intensidade de ambos na defesa. Assim, o intervalo chegaria com 38-36 para o conjunto da casa.

Se a eficácia das duas equipas já não tinha sido famosa na primeira parte, no arranque do segundo tempo não foi melhor. Aliás, piorou. Este jogo 2 foi rico pela intensidade e pela entrega das duas equipas (Micah Downs acabou por ser o exemplo disso mesmo, longe dos 31 pontos marcados no sábado mas com a mesma vontade de sempre e a chegar a casa das duas dezenas), que foram mantendo a emoção num encontro com casa cheia, mas com poucos pontos apesar dos ressaltos ofensivos que foram dando mais bolas aos ataques. O equilíbrio, esse, perdurava. E o quarto período começava com um empate a 53.

Depois de um melhor início, com a experiência do argentino Cantero em destaque, o Benfica foi conseguindo estabilizar uma vantagem de quatro pontos fazendo a diferença na linha de lance livre, com Álex Suárez, Mikell Gladness e Micah Downs a não tremerem. Sem Eric Coleman, que chegou entretanto às cinco faltas (algumas sem necessidade), a Oliveirense revelou as mesmas dificuldades no ataque aproveitadas pelos encarnados para dispararem para um 76-68 com triplos de Cantero e Álex Suárez. No final, os encarnados fecharam a partida em 81-74 e quebraram para já o “fator casa” da Oliveirense.