O jogo 3 da final do Campeonato Nacional de futsal, que terminou pela primeira vez com a vitória da equipa da casa (Benfica) frente à visitante (Sporting) e que deixou os encarnados apenas a um triunfo do título após o tricampeonato dos leões, teve uma espécie de prolongamento depois do apito final da Luz que selou o 4-3 das águias, com o Sporting a falar mesmo em tentativas de agressão de adeptos não identificados alegadamente afetos ao Benfica em Alvalade e o Benfica a reagir em comunicado não só a desmentir o teor das acusações mas a destacar também que as mesmas não poderão passar impunes.

“O melhor estava ainda para vir. Quando pensávamos que nada mais nos podia surpreender, eis que nos deparamos com mais um ato de vandalismo de um tal grupo de adeptos ilegais, mas organizados, que se deslocaram até ao Estádio José Alvalade e, à entrada do Multidesportivo de Alvalade, tentaram agredir os nossos atletas! Ora, depois de tudo isto, quase que podemos prever o que se vai passar no jogo 4. Com o fim da Euro Winners Cup, nas bonitas praias da Nazaré, e com mais uma dupla de arbitragem disponível, vem-nos à memória o jogo 3 da final da temporada passada, em que três dos nossos jogadores e o nosso treinador foram expulsos e que tudo foi feito para que saíssemos derrotados. Temos de melhorar em campo, mas fora de campo muitas movimentações para impedir um inédito tetra no mesmo ano que vencemos a Liga dos Campeões”, disse Miguel Albuquerque, diretor geral das modalidades do clube, num longo post publicado nas redes sociais.

“A vitória meritória do Sporting no primeiro jogo da final fez soar os alarmes. A possibilidade de ver o Sporting alargar e reforçar o domínio do futsal português com a conquista do inédito tetra assusta muita gente, até aqueles cujo papel passa pela defesa desta modalidade que tanto nos apaixona. O que se tem vindo a passar desde esse primeiro jogo ultrapassa qualquer limite daquilo que julgamos ser aceitável. Não queremos, até porque não faz parte da nossa maneira de estar, branquear os nossos próprios erros, mas não podemos aceitar a gritante dualidade de critérios verificada, sobretudo, nos jogos 2 e 3″, destacou, dizendo ainda que o cartão vermelho a Dieguinho na primeira parte deveria ter sido para Robinho, que o primeiro golo dos encarnados é irregular e que Fernandinho deveria ter sido expulso depois de ter atingido na cara Erick.

“Aguardamos para perceber se a Federação mantém mão firme quanto aos castigos depois de mais uma vergonhosa atuação dos grupos ilegais de adeptos do Benfica, que, para além de entoarem, insistentemente, cânticos alusivos à morte de dois adeptos do Sporting, interromperam o jogo uma mão cheia de vezes, atirando plásticos para a quadra. Não esquecer que o Pavilhão João Rocha foi punido com quatro jogos de castigo devido a cânticos homofóbicos”, concluiu. De acrescentar que o clube irá apresentar as imagens das câmaras de vigilância em Alvalade como meio de prova na queixa que será apresentada.

“O Benfica lamenta as acusações feitas esta noite pelo diretor geral das modalidades do Sporting, Miguel Albuquerque, relativamente a alegadas tentativas de agressão de adeptos do clube a jogadores do Sporting. O Benfica foi informado pela Polícia de Segurança Pública de que esta desconhece qualquer ocorrência no perímetro do Pavilhão João Rocha entre adeptos do Benfica e atletas do Sporting. Estas acusações são extremamente graves e não podem ficar impunes, até porque poderão incendiar o clima para o jogo 4 da final do Campeonato de futsal, ao contrário daquilo que se deseja para a modalidade”, começou por salienta o comunicado emitido pelos encarnados na noite deste domingo, em resposta às acusações leoninas.

“O que não é aceitável é a pressão – a época anterior foi apenas um exemplo disso – exercida quando o Sporting sente que pode estar comprometida uma determinada conquista desportiva, neste caso o Campeonato Nacional de futsal. Tendo o próprio diretor geral das modalidades já sido suspenso por ter agredido um atleta do Benfica, é no mínimo de estranhar esta tomada de posição. Depois são referidos determinados lances ocorridos neste último dérbi, sublinhando que todo o País teve acesso aos mesmos. Fala-se em perdão de amarelos, quando o problema se calhar tem mais a ver com memória seletiva”, acrescentou a missiva, colocando a interrogação sobre se Erick deveria ter terminado este jogo 3 da final.

“O Benfica tem tido uma postura exemplar na divulgação da modalidade e relembra que o jogo de hoje decorreu sem incidentes, quer para os adeptos do Sporting Clube de Portugal, quer para os jogadores e respetivo staff“, rematou o Benfica.