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Sindicatos e Ordem dos Médicos alertam para rutura da oncologia em Viseu

Três estruturas representativas dos médicos referem que "os colegas oncologistas assumem a incapacidade de garantir a consulta e tratamentos de quimioterapia para novos doentes."

"Um serviço altamente deficitário em recursos humanos e limitado por instalações físicas exíguas, indignas para o propósito que cumprem", lamentam os sindicatos e a Ordem dos Médicos

Hugo Delgado/LUSA

Autor
  • Agência Lusa

O serviço de oncologia do Centro Hospitalar Tondela – Viseu (CHTV) está em rutura e a cirurgia oncológica naquela unidade também está em risco, garantiram esta terça-feira três estruturas representativos dos médicos.

Em comunicado conjunto, o Sindicato dos Médicos da Zona Centro, o Sindicato Independente dos Médicos e a secção regional do Centro da Ordem dos Médicos referem que a situação atingiu “o ponto de rutura e que os colegas oncologistas assumem a incapacidade de garantir a consulta e tratamentos de quimioterapia para novos doentes”.

Esta situação, que já era “previsível desde há vários meses, levou a que, nas últimas semanas, os doentes com necessidade de iniciar quimioterapia estejam em suspenso à espera de uma solução”, contam, explicando que a quimioterapia “tem uma janela limite de eficácia”.

Segundo as estruturas representativas dos médicos, “a consulta de decisão multidisciplinar e uma terapêutica integrada dentro da mesma instituição são pressupostos de qualidade” na abordagem do doente oncológico.

Os cirurgiões deste centro hospitalar assumiram já, perante a direção clínica, a sua indisponibilidade para levar a cabo qualquer intervenção cirúrgica do foro oncológico que não cumpra estes pressupostos”, acrescentam, enaltecendo as três estruturas “esta postura de responsabilidade”.

Os sindicatos e a Ordem dos Médicos sublinham que, para os doentes oncológicos, “muitos deles debilitados física e psicologicamente, uma solução que envolva múltiplas viagens para outra instituição é simplesmente incomportável”.

Estando a falar-se em “centenas de doentes”, consideram que “é necessária uma solução aplicável localmente”, respeitando os seus direitos.

“Não obstante o empenho na resolução desde problema por parte direção clínica, os resultados são insuficientes. É responsabilidade da tutela, o Ministério da Saúde, assumir a condução deste assunto, de extrema gravidade, fruto da política de desinvestimento no SNS (Serviço Nacional de Saúde)”, acrescentam.

Os sindicatos médicos e a Ordem dos Médicos lembram que, “em bom tempo”, denunciaram publicamente a situação do serviço de Oncologia do Centro Hospitalar Tondela Viseu.

Um serviço altamente deficitário em recursos humanos e limitado por instalações físicas exíguas, indignas para o propósito que cumprem”, lamentam.

Segundo as três estruturas, anualmente são operados neste centro hospitalar “cerca de 350 doentes com patologia oncológica do aparelho digestivo, 160 doentes com cancro da mama e ainda doentes oncológicos do foro ginecológico e urológico”.

Em comunicado, o conselho de administração do CHTV esclarece que “tem vindo a ponderar, e a executar, medidas com vista a ultrapassar a carência de profissionais da área da oncologia, minimizando eventuais transtornos para os doentes”.

Neste âmbito, “recentemente e de forma imediata, foi possível proceder à contratação de um especialista em regime de prestação de serviços e assegurar a continuidade da colaboração de uma médica oncologista até final do ano, antevendo-se, desde já, a possibilidade de contratação futura”.

O conselho de administração explica que “enquanto se encontra a decorrer o concurso de recrutamento de um especialista para Oncologia no CHTV, têm sido mantidos contactos com o IPO (Instituto Português de Oncologia) de Coimbra, com o objetivo de estabelecer uma parceria estratégia permanente ao nível dos recursos humanos altamente qualificados, e com oncologistas do Centro Hospitalar Trás-os-Montes e Alto Douro”.

Comprometendo-se a “ultrapassar as atuais dificuldades”, o conselho de administração enaltece o esforço que os médicos oncologistas têm feito “em prol do bem-estar dos doentes e da segurança e qualidade reconhecidas dos tratamentos ministrados”.

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