Os automóveis eléctricos são a moda do momento, mas há várias formas de fazer chegar a electricidade aos motores. Actualmente, a mais usual passa por carregar a energia numa bateria, que pode pesar entre 400 ou 600 kg e, a partir daí, alimentar o motor. Uma alternativa, mais leve e mais prática por não necessitar de tanto tempo para recarregar, é produzir a electricidade a bordo a partir de hidrogénio, através de uma célula de combustível. Esta é a tecnologia que a Toyota domina (e prefere) e que seria mais popular caso fosse mais barata, o que os japoneses prometem acontecer em breve.

As células de combustível, ou fuel cells, essencialmente juntam o hidrogénio que transportam no depósito ao oxigénio que retiram do ar para formar água. Sucede que esta operação – o inverso da electrólise da água – liberta energia, que depois é utilizada para alimentar ao motor. É mais prático, pois abastecer de hidrogénio é muito mais rápido do que fornecer electricidade a uma bateria, sendo igualmente mais leve, uma vez que para uma autonomia de 600 km não é necessário arrastar mais de 600 kg, pelo menos com a actual tecnologia de acumuladores.

Contudo, o hidrogénio coloca alguns problemas, primeiro na produção se for gerado de forma não poluente (e com os 98% de pureza necessários para a fuel cell), e depois no armazenamento e transporte – duas soluções bastante dispendiosas e daí que não exista uma rede de distribuição na maioria dos países, a começar pelo nosso. Isto além dos riscos, pois à semelhança da gasolina – ou talvez um pouco pior –, o hidrogénio explode com alguma facilidade, caso se verifiquem certas condições. E foi exactamente o que aconteceu numa estação de abastecimento na Noruega.

A Uno-X, em Baerum, é uma das bombas deste país nórdico em que é possível abastecer com hidrogénio. E como por vezes acontece com as “bombas”, esta explodiu com algum aparato. Não é a primeira vez que uma estação explode, mas é a primeira vez que tal acontece com uma de hidrogénio, o que motivou desde logo alguma apreensão. As causas são ainda desconhecidas, ao contrário das consequências, que passaram pela destruição do local e dois feridos que se deslocavam nas proximidades num veículo não alimentado por hidrogénio. De acordo com a polícia, a explosão foi de tal forma violenta que fez disparar os airbags do veículo à distância, apenas com a deslocação de ar.

Outra das consequências foi a suspensão das entregas de veículos novos a fuel cell por parte da Toyota e da Hyundai, com as unidades já em circulação a estarem condenadas a parar, uma vez que os abastecimentos foram momentaneamente proibidos, até ao apuramento dos factos.

Não parece que este incidente, depois de apuradas as causas, possa beliscar a tecnologia, mas deverá levar a um incremento da segurança ao nível dos postos de abastecimento, pelo menos para atingir o mesmo nível dos veículos.