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Liberdade de Expressão

Thinkspot. Jordan Peterson lança site onde se pode dizer tudo (exceto se um tribunal mandar retirar)

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Zangado com a plataforma Patreon, o professor de psicologia canadiano Jordan Peterson lança o Thinkspot, um site "anti-censura" onde apenas será retirado conteúdo se um tribunal ordenar.

Catarina Santos/Observador

Zangado com a plataforma Patreon, o professor de psicologia canadiano Jordan Peterson vai lançar o Thinkspot, um site “anti-censura” onde apenas será retirado conteúdo se um tribunal o ordenar. O académico, cuja popularidade disparou em 2016, quando se recusou a dirigir-se a alunos transexuais usando pronomes de “género neutral” (por imposição da Universidade de Toronto), diz que o Thinkspot será uma plataforma que não será “suscetível a censura arbitrária”.

“Para se poder pensar, é necessário correr o risco de ser ofensivo”. Esta é uma das frases mais marcantes do académico na entrevista ao britânico Channel 4 que se tornou viral por ter deixado a entrevistadora, a jornalista Cathy Newman, sem palavras num debate sobre temas como a disparidade salarial entre homens e mulheres (e as possíveis justificações para esse fenómeno). Se Jordan Peterson já era um “fenómeno” de popularidade nos EUA e no Canadá, essa entrevista consolidou a sua notoriedade (também na Europa) como bastião da luta contra o chamado “politicamente correto” e o “marxismo cultural” que diz dominar as universidades.

Nos últimos anos, além de partilhar as suas aulas no Youtube, esteve presente na plataforma Patreon, um site onde qualquer um pode ter um canal e receber donativos de quem quiser contribuir. Mas quando o Patreon decidiu expulsar o britânico Carl Benjamin — ex-membro do UKIP (partido independentista do Reino Unido) — que usou a palavra “nigger“, uma palavra altamente pejorativa usada no tempo da escravatura para se referir aos negros — Jordan Peterson decidiu sair do Patreon, que lhe “rendia” uns estimados 30 mil dólares por mês em donativos.

Apesar de não se identificarem com o que Carl Benjamin disse, Jordan Peterson e Dave Rubin (outro produtor de conteúdos que está a colaborar com Peterson no Thinkspot) não concordaram que o britânico fosse silenciado pela Patreon. Benjamin será, mesmo, convidado para ser um dos primeiros participantes no Thinkspot, onde não serão “termos e condições” a ditar o que pode ou não pode ser dito, garante Peterson. Apenas se um tribunal (neste caso, norte-americano) obrigar à retirada de um determinado conteúdo é que essa remoção irá acontecer — sem isso, a ideia é que o site seja um fórum online de total liberdade de expressão.

Depois de Benjamin, vários outros membros do Patreon foram banidos, incluindo o polémico Milo Yiannopoulos. Coisa que não irá acontecer no Thinkspot, garante Peterson: “Quando alguém está na nossa plataforma, nunca iremos banir essa pessoa a menos que formos ordenados a fazer isso por um tribunal dos EUA. A ideia, basicamente, é essa”. O académico reconhece que ainda há detalhes que será preciso “resolver” mas, para já, apenas revelou que o sistema de comentários terá um número de carateres mínimo (sim, mínimo, não máximo) — porque se pretende que os comentários sejam ideias bem estruturadas e não comentários de “trolls“.

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1.072

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