A 4ª edição do Trengo — Festival de Circo do Porto regressa com uma programação “centrada em propostas novas, originais e diversificadas, com uma linguagem acessível, mas não facilitada”. Quem o diz é Julieta Guimarães, diretora artística do festival cuja produção está a cargo da Erva Daninha, companhia de circo contemporâneo com 13 anos de vida.

Na conferência de imprensa de apresentação, Tiago Guedes, diretor do Teatro Municipal do Porto, sublinhou a importância da descentralização da dinâmica cultural da cidade, muito centrada no eixo de Passos Manuel, onde o novo circo, e em especial este festival, tem um papel importante. Já Julieta Guimarães salientou o facto do Trengo ser “feito por pessoas da área”, com a intenção de chamar jovens criadores e explorar a relação com escolas de circo nacionais e internacionais. Uma das imagens de marca da iniciativa é a de transformar o espaço público da cidade através do circo. Este ano não será exceção. O festival passará pelo Jardim da Corujeira, Palácio de Cristal e Praça D. João I, mas também ocupará a sala do Teatro do Campo Alegre. Serão ao todo 14 espetáculos, muitos deles estreias nacionais, 20 apresentações e mais de 30 artistas de 8 nacionalidades.

A abrir o festival estará a estreia nacional de “Le Vide – Essai de Cirque”, dos franceses Fragan Gehlker, Alexis Auffray, & Maroussia Diaz Verbèke, uma odisseia entre o circo eminentemente físico e a performance, numa experiência vertiginosa, que promete ter tanto de desafiante como de fascinante. Este será o único espetáculo pago em todo o festival e acontece nos dias 2, 5 e 6 de julho no Teatro do Campo Alegre. Se aqui o conceito de vertigem é posto em prática, em “Gravitas”, de Ofir Yudilevitch, de Israel, é a gravidade, uma das forças mais básicas e poderosas da natureza, a protagonista. “Dois parceiros constroem um palco para si mesmo a partir de um piso cheio de ar que lhes permite brincar com a gravidade e criar uma nova relação com ela”, pode ler-se no programa. O espetáculo conta com duas atuações no dia 6 de julho nos Jardins do Palácio de Cristal.

78 Tours”, da dupla francesa Thibaut Bringnier e Mathieu Lagaillarde, traz a roda da morte para o espaço público, numa linguagem contemporânea e com música ao vivo. Para ver nos dias 6 e 7 de julho na Praça D. João I. A jogar em casa, a companhia Erva Daninha, apresentará pela primeira vez “Esqueci”. Com direção de Vasco Gomes, trata-se de um projeto de intervenção artística com jovens do Centro Educativo de Santo António. Aqui é explorado o momento em que o corpo está prestes a explodir.

Na programação do Trengo — Festival de Circo do Porto constam ainda outras atividades como workshops, visitas a bastidores, treinos abertos, cafés filosóficos ou a festa de encerramento, que está marcada para 6 de julho, no Café Rivoli. O dia 7 de julho está reservado ao “Trengolas”, uma mostra de espetáculos de curta duração ou em processo de vários artistas de diferentes técnicas.

Apoio financeiro da Câmara do Porto reforçado em 2019

O valor global desta 4ª edição é de cerca de 85 mil euros e contou com o apoio financeiro reforçando da Câmara Municipal do Porto que, em 2018, disponibilizou 20 mil euros. Este ano, subiu o valor para 30 mil.

“Este reforço financeiro significa um reconhecimento do nosso trabalho e mostra que o festival veio mesmo para ficar”, afirmou Julieta Guimarães ao Observador, acrescentando que mais dinheiro “permite-nos receber espetáculos de média e grande dimensão, repetir o número de apresentações, para o público poder organizar melhor a sua agenda, e possibilita-nos levar a marca do festival para outros festivais internacionais. Amanhã, por exemplo, vamos participar numa conferência no Festival Circus, no Brasil.”