Os quatro detidos na quarta-feira na Grande Lisboa, no âmbito da “Operação Rappel”, incluindo dois altos funcionários do Pingo Doce, saíram em liberdade, mas com proibição de contactos, disse hoje à agência Lusa o Tribunal de Loures.

Os três homens e uma mulher, com idades entre 40 e 65 anos, ficaram com as medidas de coação de proibição de contactos com os demais arguidos e um deles sujeito também a apresentações bissemanais às autoridades, depois de presentes a primeiro interrogatório judicial no Tribunal de Instrução Criminal de Loures.

Além dos detidos, no decorrer da operação da Polícia Judiciária (PJ), foram também constituídos outros 10 arguidos.

Em comunicado divulgado na quarta-feira, a PJ anunciou a detenção de quatro pessoas na zona da Grande Lisboa por corrupção passiva e ativa, ocorrida no setor privado, e também por branqueamento de capitais.

Fonte policial adiantou à Lusa nesse dia que os casos de corrupção foram denunciados pela própria empresa Pingo Doce, que colaborou na investigação executada pela Unidade Nacional de Combate à Corrupção (UNCC).

A mesma fonte revelou que alguns dos detidos eram funcionários “já com alguma responsabilidade na empresa” e que atuavam “ao nível da rede” que integra o grupo económico.

No comunicado, a PJ acrescentou que no decorrer da “Operação Rappel” foram realizadas 18 buscas, apreendidas várias viaturas de gama alta, diversos documentos, material informático, outro material relacionado com a prática da atividade criminosa e ainda cerca de 400 mil euros em dinheiro.

A investigação prossegue no Departamento de Investigação e Ação Penal (DIAP) de Loures, para se determinar “todas as condutas criminosas e o seu alcance”.

Também na quarta-feira, o Pingo Doce confirmou as buscas na plataforma logística de Azambuja, distrito de Lisboa, por suspeitas de crimes de corrupção privada e branqueamento de capitais, envolvendo colaboradores e fornecedores.

“Na sequência do comunicado divulgado pela Polícia Judiciária, vimos confirmar que as buscas hoje realizadas na nossa plataforma logística da Azambuja tiveram lugar em resultado de denúncias efetuadas pela Companhia Pingo Doce por suspeitas de prática de crimes de corrupção privada e branqueamento de capitais, envolvendo alguns dos seus colaboradores e fornecedores”, refere a nota.

O comunicado do Pingo Doce referia que “as alegadas práticas terão sido levados a cabo em benefício próprio dos autores e em grave prejuízo da empresa, que, tal como até aqui, se mantém inteiramente disponível para continuar a colaborar com as autoridades no apuramento dos factos, tendo de imediato tomado medidas com vista à suspensão de funções dos cinco colaboradores presumivelmente implicados”.