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Lula da Silva

Lula da Silva: “Facada de Bolsonaro tem uma história muito estranha e suspeita”

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O ex-presidente do Brasil acha estranho não se ver sangue durante o ataque e a faca nunca ter aparecido. Para Lula, Bolsonaro é "coisa que o país pariu" e diz que quer voltar a ser presidente.

Fernando Bizerra Jr./EPA

O ex-presidente do Brasil Lula da Silva considerou, numa entrevista esta quinta-feira, que o esfaqueamento que Jair Bolsonaro sofreu quando ainda era candidato presidencial foi “suspeito” e “estranho”.

Eu sinceramente… aquela facada para mim tem uma coisa muito estranha. Uma facada que não aparece a faca em nenhum momento, uma facada em que o cara que dá a facada é protegido pelo segurança de Bolsonaro. Tem muita história estranha e suspeita”, disse Lula numa entrevista no canal TVT.

Jair Bolsonaro foi esfaqueado numa ação de campanha no dia 6 de setembro de 2018, em Juiz de Fora, Minas Gerais. Na altura, o então candidato ficou em estado grave e foi operado duas vezes.

Na entrevista, Lula da Silva teceu duras críticas a Bolsonar e afirmou que deseja voltar a ser presidente do Brasil. O ex-chefe de Estado brasileiro disse que, devido à sua ausência nas últimas duas eleições, “o país pariu essa coisa chamada Bolsonaro”. Lula afirma que o povo brasileiro elegeu “o pior dos coronéis” e criticou a gestão de Bolsonaro até hoje.

Ele conseguiu se vender para a sociedade enraivecida como anti-sistema. E a tendência é não dar certo”, defendeu Lula durante a entrevista.

Sobre o regresso Palácio Presidencial brasileiro, Lula diz que é preciso “rever e refazer coisas” que o próprio não tinha “consciência de que era preciso fazer”.

Lula da Silva falou ainda acerca das mensagens trocadas entre os procuradores da Lava Jato e o então juiz do caso, Sergio Moro – agora ministro da Justiça de Bolsonaro. Lula diz que as mensagens trouxeram a verdade ao povo brasileiro, afirma que “Moro é mentiroso” e que a “mentira foi muito longe”.

Mas Lula não se ficou pela política e comentou o caso da alegada violação de Neymar. Para o ex-presidente, a imprensa brasileira defendeu o jogador e fez da alegada vítima “vagabunda antes de qualquer possibilidade”.

A facada

Depois do ataque, Jair Bolsonaro recorreu às redes sociais para mostrar que estava bem. “Nunca fiz mal a ninguém”, disse Bolsonaro num vídeo gravado na cama do hospital, depois da primeira cirurgia. O então candidato recordou que, no momento em que foi esfaqueado, sentiu o que parecia “apenas uma pancada”, como num jogo de futebol. Só depois se apercebeu da gravidade do ataque: “A dor era insuportável. E parecia que tinha algo mais grave acontecendo”, contou.

Adélio Bispo de Oliveira confessou na altura ter sido o autor do esfaqueamento. Afirmou que se tratou de um “incidente imprevisto” e disse que se sentia “literalmente ameaçado” pelos discursos do candidato presidencial. Após a facada, Adélio foi espancado por apoiantes de Bolsonaro e levado para a esquadra, onde garantiu que atuou “a mando de Deus”.

Bolsonaro saiu beneficiado do ataque

Poucos dias depois do ataque, um investigador brasileiro da Universidade do Minho afirmou que Bolsonaro saiu beneficiado a nível eleitoral devido ao ataque.

Quando ocorreu o episódio, o volume de menções ao Bolsonaro nas redes (sociais) foi cinco vezes maior do que o segundo candidato mais mencionado, neste caso o Lula. Ou seja, ele passou a dominar a agenda de tudo o que estava circulando nas redes sociais”, afirmou Sergio Denicoli.

Nas eleições presidenciais de outubro, Bolsonaro venceu Fernando Hadad com mais de 50% dos votos.

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