O ex-presidente do Brasil Lula da Silva considerou, numa entrevista esta quinta-feira, que o esfaqueamento que Jair Bolsonaro sofreu quando ainda era candidato presidencial foi “suspeito” e “estranho”.

Eu sinceramente… aquela facada para mim tem uma coisa muito estranha. Uma facada que não aparece a faca em nenhum momento, uma facada em que o cara que dá a facada é protegido pelo segurança de Bolsonaro. Tem muita história estranha e suspeita”, disse Lula numa entrevista no canal TVT.

Jair Bolsonaro foi esfaqueado numa ação de campanha no dia 6 de setembro de 2018, em Juiz de Fora, Minas Gerais. Na altura, o então candidato ficou em estado grave e foi operado duas vezes.

Na entrevista, Lula da Silva teceu duras críticas a Bolsonar e afirmou que deseja voltar a ser presidente do Brasil. O ex-chefe de Estado brasileiro disse que, devido à sua ausência nas últimas duas eleições, “o país pariu essa coisa chamada Bolsonaro”. Lula afirma que o povo brasileiro elegeu “o pior dos coronéis” e criticou a gestão de Bolsonaro até hoje.

Ele conseguiu se vender para a sociedade enraivecida como anti-sistema. E a tendência é não dar certo”, defendeu Lula durante a entrevista.

Sobre o regresso Palácio Presidencial brasileiro, Lula diz que é preciso “rever e refazer coisas” que o próprio não tinha “consciência de que era preciso fazer”.

Lula da Silva falou ainda acerca das mensagens trocadas entre os procuradores da Lava Jato e o então juiz do caso, Sergio Moro – agora ministro da Justiça de Bolsonaro. Lula diz que as mensagens trouxeram a verdade ao povo brasileiro, afirma que “Moro é mentiroso” e que a “mentira foi muito longe”.

Mas Lula não se ficou pela política e comentou o caso da alegada violação de Neymar. Para o ex-presidente, a imprensa brasileira defendeu o jogador e fez da alegada vítima “vagabunda antes de qualquer possibilidade”.

A facada

Depois do ataque, Jair Bolsonaro recorreu às redes sociais para mostrar que estava bem. “Nunca fiz mal a ninguém”, disse Bolsonaro num vídeo gravado na cama do hospital, depois da primeira cirurgia. O então candidato recordou que, no momento em que foi esfaqueado, sentiu o que parecia “apenas uma pancada”, como num jogo de futebol. Só depois se apercebeu da gravidade do ataque: “A dor era insuportável. E parecia que tinha algo mais grave acontecendo”, contou.

Adélio Bispo de Oliveira confessou na altura ter sido o autor do esfaqueamento. Afirmou que se tratou de um “incidente imprevisto” e disse que se sentia “literalmente ameaçado” pelos discursos do candidato presidencial. Após a facada, Adélio foi espancado por apoiantes de Bolsonaro e levado para a esquadra, onde garantiu que atuou “a mando de Deus”.

O confesso atacante depois de ser detido

Atacante diz que atacou Bolsonaro por se sentir “literalmente ameaçado” pelos seus discursos

Bolsonaro saiu beneficiado do ataque

Poucos dias depois do ataque, um investigador brasileiro da Universidade do Minho afirmou que Bolsonaro saiu beneficiado a nível eleitoral devido ao ataque.

Quando ocorreu o episódio, o volume de menções ao Bolsonaro nas redes (sociais) foi cinco vezes maior do que o segundo candidato mais mencionado, neste caso o Lula. Ou seja, ele passou a dominar a agenda de tudo o que estava circulando nas redes sociais”, afirmou Sergio Denicoli.

Nas eleições presidenciais de outubro, Bolsonaro venceu Fernando Hadad com mais de 50% dos votos.