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MIMO Festival leva música, cinema, poesia e arte a Amarante de 26 a 28 de julho

A 4ª edição do festival que nasceu no Brasil regressa a Amarante para três dias gratuitos de música, cinema e arte vindos dos quatro cantos do mundo. Conheça aqui os destaques da programação.

Autor
  • Maria Martinho

Foi esta sexta-feira apresentada a programação completa do MIMO Festival em Amarante, que em abril já tinha anunciados nomes como o rapper brasileiro Criolo, o seu compatriota Rubel, o músico do Mali Salif Keita, a cabo-verdiana Mayra Andrade, os palestinianos 47Soul ou do português Samuel Úria. Juntam-se agora ao cartaz o concerto de Sereossauro, que convida Camané e Capicua para uma atuação especial no domingo, tendo como ponto de partida o álbum “Bairro da Ponte”, lançado no início do ano, onde o hip-hop e a eletrónica convivem harmoniosamente com o fado de Amália Rodrigues e Carlos Paredes. Ainda no panorama nacional destacam-se o projeto folk blues e rock que junta as guitarras, o talento e o imaginário de Frankie Chaves e Peixe, no sábado, a Orquestra Sinfónica do Norte, no domingo, ou DJ Ride, que encerrará a noite de sábado no Parque Ribeirinho.

Do Brasil, país de origem do MIMO Festival, vem a big band Bixiga 70, um coletivo com uma energia contagiante. Na mochila traz o quarto álbum, Quebra-Cabeça, e sonoridades de raiz carioca, funk, samba-jazz, reggae e afrobeat, num mix de metais, guitarra e percussão. Já a Bossa Nova e ritmos populares brasileiros são registos que estarão presentes no concerto da cantora, compositora e pianista Délia Fischer, numa viagem aos seus 30 anos de carreira. “Mercado” é o single lançado em 2018 que já foi premiado Best Latin Song e Vox Populi no The Independent Music Awards, em Nova Iorque.

Da Nigéria vem Seun Kuti & Egypt 80, o filho do mítico Fela Kuti, pioneiro do afrobeat, e a sua banda. Ao vivo o filho não se sente intimidado com as comparações e vem apresentar o seu mais recente “Black Times”, disco lançado no ano passado cheio de ritmos envolventes e letras que protestam contra a situação política e social do continente africano. Mongólia, Bulgária e França são as nacionalidades do trio Violons Barbares dono de uma música energética que funde três culturas em melodias balcânicas, ritmos galopantes e canto gutural. Eis um trio invulgar composto por três bárbaros que apresentam um som selvagem de ritmos galopantes e uma criatividade surpreendente. Prepare-se para um festim sonoro imprevisível entre a tradição da world music e a energia do rock.

Na Igreja de São Gonçalo assista a um concerto do pianista e cantor italiano Stefano Bollani e o multinstrumentista brasileiro Hamilton de Holanda. Os dois viajam juntos pelo mundo desde 2009 levando ao público o melhor da combinação entre piano e bandolim. Repetindo a proeza da atuação em que foram protagonistas em 2013 no MIMO Brasil, os artistas estreiam-se em duo em Amarante num concerto de jazz onde prometem revisitar mestres como Astor Piazzolla, Chico Buarque, Tom Jobim e Pixinguinha.

Um prémio e um lugar no palco

A grande novidade desta edição é o prémio MIMO onde o objetivo é proporcionar a descoberta de novos talentos nacionais, incentivando a inovação e originalidade na composição técnica e estética. As inscrições podem ser efetuadas em duas categorias: música popular, para artistas e grupos de todos os tipos de criação musical que envolva a utilização da voz; e música Instrumental, para artistas e grupos de todo o tipo de criação musical feita por instrumentos musicais, programações eletrónicas e outros.

Os interessados, dos 18 aos 40 anos, podem inscrever-se no site do MIMO até 7 de Julho, posteriormente realiza-se a votação online, de 11 a 20 de Julho, e a 21 de Julho será anunciado o vencedor que ganha um lugar no palco principal no sábado, no Parque Ribeirinho, e é convidado a integrar a programação do MIMO Festival Brasil, no Rio de Janeiro ou em São Paulo, a realizar nos próximos meses. O Artista Revelação recebe ainda como prémio a gravação e edição de um EP, com seis faixas, a ser lançado pela Valentim de Carvalho.

Nem só de música vive o MIMO

O cinema é outro dos protagonistas do festival, que este ano exibe produções inéditas de países como os EUA, França e Suíça, com especial destaque para o Brasil e Portugal. Nesta edição pode contar com várias estreias em território nacional como é o caso de “Com a Palavra, Arnaldo Antunes”, de Marcelo Machado; “Onde está você, João Gilberto?”, de Georges Gachot; “Tetê”, de Clara Lazarim; e “O Barato de Iacanga”, de Thiago Mattar. Da programação, que terá lugar no Cinema Teixeira de Pascoaes e nos claustros do Museu Amadeo de Souza-Cardoso, fazem ainda parte as exibições de “Miles Davis: Birth Of The Cool”, de Stanley Nelson; “7 Évoras em Kepa”, de José Coimbra e Tiago Guimarães; “Ela é uma Música”, de Francisca Marvão; e “I Love My Label |Flor Caveira”, da autoria de Rui Portulez, com realização de António Sabino, Pedro Gonçalves e Igor Martins.

Também no Museu Amadeo de Souza-Cardoso, um dos epicentros do evento, está instalado o já habitual Fórum de Ideias. Neste segmento, Criolo vai falar sobre “A Música como Instrumento de Consciencialização”; Salif Keita vai partilhar a sua visão do mundo, a sua história e carreira; e Seun Kuti vai abordar a “Origem, Herança e Evolução do Afrobeat”.

Um dos pontos altos do MIMO Festival Amarante é a Chuva de Poesia que este ano vai homenagear o amor nas suas diversas formas com poemas de Chico Buarque, Jorge de Sena, Mário Sá-Carneiro, José Saramago, Sophia de Mello Breyner Andresen, Pablo Neruda, Florbela Espanca, Vinícius de Moraes, Gregório de Matos, Bocag ou  Fernando Pessoa. Haverá ainda um Roteiro Cultural todas as manhãs, de 26 a 28 de Julho, onde será possível visitar e conhecer o património religioso de Amarante, com destaque para a história e arquitetura da cidade.

À semelhança do ano passado, o MIMO Festival Amarante volta a apostar na arte com a mostra “Abstração. Arte Partilhada Coleção Millennium BCP”, uma exposição que vai ocupar o Museu Amadeo de Souza-Cardoso, de 26 de julho a 27 de outubro, e conta com mais de 30 obras de 18 autores nacionais e internacionais como Maria Helena Vieira da Silva, Arpad Szenes, Mário Cezariny, Paula Rego, Júlio Pomar, Nadir Afonso ou Eduardo Nery.

O MIMO Festival nasceu no Brasil em 2004 e teve a sua primeira edição internacional em 2016 na cidade de Amarante.

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