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Copa América

O lugar de Bolsonaro, a maior receita da história e os assobios antes do 3-0 com a “maldita”: o arranque da Copa América

Um penálti assinalado pelo VAR abriu caminho à vitória do Brasil frente à Bolívia no arranque da Copa América (3-0) mas houve um pouco de tudo no jogo em que Coutinho foi a figura com dois golos.

Coutinho voltou a marcar o primeiro golo do Brasil numa grande competição, depois da Copa América de 2016 e do Mundial de 2018

Getty Images

“A gravar um documentário para uma produtora inglesa e com entrevistas em atraso”. Pelé, a maior figura de sempre do futebol brasileiro, foi a ausência mais notada no arranque da Copa América esta madrugada e as justificações avançadas pela assessoria de imprensa do antigo jogador também não convencerem mas nem por isso a tribuna no Morumbi, em São Paulo, deixou de estar em foco no Brasil-Bolívia, que chegou ao intervalo sem golos e com assobios vindos da bancada.

Como contou a reportagem do Estado de São Paulo, a presença do presidente brasileiro levou ao aumento do esquema de segurança que estava montado, num total de 3.016 agentes de segurança e 754 viaturas – número maior do que no Campeonato do Mundo de 2014, também organizado pelo país. Ao lado do líder da Conmebol, Alejandro Domínguez, no decorrer da primeira parte (depois mudaria de lugar), com algumas paragens para olhar para o telemóvel, Bolsonaro aproveitou o intervalo para ir ao campo, como que para sentir um ambiente que estava mais pesado e com muitas críticas dos adeptos ao rendimento da equipa. “Se reclamei da exibição? Reclamei só do local, é ruim para ver o jogo”, respondeu.

Quando abandonou o estádio, a cerca de 15 minutos do final do jogo, um bis de Coutinho (50′ e 53′) tinha invertido por completo a tendência do primeiro tempo, onde o conjunto comandado por Tite teve muita bola mas poucas oportunidades perante uma Bolívia longe dos tempos em que se batia com as maiores seleções sul-americanas. E, em paralelo, superava uma decisão que na altura motivou sentimentos contrários entre adeptos: a camisola branca com calções azuis, lançada pela Nike este ano para celebrar o 100.º aniversário do primeiro título continental da equipa mas que continua a ser associada ao célebre “Maracanazo”, quando o Brasil perdeu em 1950 com o Uruguai perante 200.000 espetadores no mítico estádio no Rio de Janeiro. Se existe uma “maldição” em torno desse equipamento, a estreia nesta Copa América começou por quebrar essa ideia.

Everton entrou aos 81′ para o lugar de David Neres e fez o 3-0 final apenas quatro minutos depois, celebrado com Tite (Pedro Vilela/Getty Images)

Everton, avançado do Grémio que substituíra David Neres apenas quatro minutos antes, fechou o 3-0 final com um grande golo num trabalho individual que confirmou a superioridade da formação anfitriã, naquele que foi também um encontro histórico para o Brasil a nível de venda de bilhetes: de acordo com o Globoesporte, os 46.342 ingressos pagos no Morumbi para a estreia na Copa América são um recorde de receita em estádios do país, num total de 22 milhões de reais (5,067 milhões de euros).

Pela terceira grande competição consecutiva (Copa América de 2016, Mundial de 2018 e Copa América de 2019), Coutinho, que voltou a ter uma época aquém das expetativas no Barcelona, marcou o primeiro golo do Brasil na sequência de uma grande penalidade assinalada com recurso do VAR e acabou por dar início a uma vitória do conjunto anfitrião que vai tentar manter uma regra nesta prova sul-americana: sempre que organiza o evento, ganha. Foi assim em 1919, foi assim em 1922, foi assim em 1949 e foi assim em 1989 – então com o maior contingente de jogadores a atuar no Campeonato português, com Ricardo Gomes, Valdo, Aldair (todos do Benfica), Branco (FC Porto) e Silas (Sporting).

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