O acionista da TAP David Neeleman defende que não “seria bom para a TAP” se voltasse a estar em cima da mesa o Estado ficar com 100% do capital da transportadora aérea. “Caberá ao Governo responder mas não acredito pois não seria bom para a TAP”, afirma o brasileiro, em entrevista ao Expresso. Neeleman assegura que antes da polémica com os prémios da TAP “tive contactos” com o ministro Pedro Nuno Santos, que considerou que esse caso correspondeu a uma “quebra da relação de confiança” com a liderança da TAP. Quando os dois se voltarem a encontrar, diz David Neeleman, “penso que entre nós não haverá qualquer problema”.

Voltar a nacionalizar a TAP não faz sentido, defende David Neeleman, porque “o Estado já foi dono da TAP e no momento em que pegámos na empresa na privatização, a TAP estava sem recursos para pagar salários, com aviões muito velhos e uma dívida enorme.” E há outro fator a ter em conta: “as leis europeias e internacionais são muito restritivas relativamente aos apoios e fundos que os Estados podem colocar nas suas empresas quando competem com empresas privadas”.

“Aceitei negociar com o atual Governo que o Estado retomasse 50% da empresa com base em determinados pressupostos que negociámos e que constam dos contratos que celebrámos. E os contratos têm sido cumpridos de parte a parte. Isso é o mais importante”, diz Neeleman.

Apesar de tudo, Neeleman reconhece que tem havido “dificuldades” na gestão da empresa, mas “as dificuldades são normais em qualquer grande empresa que atravessa uma fase de transformação e principalmente numa empresa como a TAP que desperta sentimentos muito fortes de todos os portugueses que adoram a TAP”.

Como já tinha referido, a polémica dos prémios “foi um mal entendido que já foi esclarecido”. Neeleman diz que a comissão executiva “está a fazer um excelente trabalho com a ajuda de todos os colaboradores da TAP”, mas admite que “há espaço para melhorar a articulação dentro do conselho”.