Além da proximidade com Portugal que leva muitos adeptos portugueses às bancadas de Montmeló com as cores nacionais e da equipa, o Grande Prémio da Catalunha ganhou um outro significado para Miguel Oliveira a partir de 2012, quando o jovem piloto português, então na Suter Honda, alcançou o seu primeiro pódio da carreira em Moto 3, quebrando uma série de três corridas seguidas em que não chegou ao fim (Espanha, Portugal e França). Sete anos depois, essa é a talvez a sua maior diferença – a fiabilidade. E o português chegava à sétima prova de 2019 com uma sequência de 30 corridas sem quedas.

“Fizemos um trabalho árduo para reduzir distâncias para os da frente. Foi um dia complicado onde entre o terceiro e o 20.º houve um segundo de diferença. A distância para o primeiro também não é grande. Não está a ser também um fim de semana fácil com todas as KTM separadas por quatro décimas. Vai ser uma corrida dura, com muito calor, onde vai ser importante preservar os pneus até ao fim”, comentou depois do 20.º posto na qualificação, quase como se estivesse a dar a receita para mais uma corrida segura e em busca de uma posição que lhe permitisse pontuar depois da 16.ª posição em Itália.

No ano passado, em Moto 2, Miguel Oliveira tinha terminado no segundo lugar na Catalunha. E em 2017 também ficara no último lugar do pódio. À partida, este Grande Prémio poderia trazer esse fator de conhecimento e conforto que permitisse uma ligeira vantagem em pista mas as indicações dos treinos livres, onde o piloto conseguiu reduzir distâncias mas ficou à procura de uma melhor abordagem às curvas mais rápidas, mostraram que “as condições da pista estão diferentes em relação ao ano passado”, o que alterou também as referências do piloto. Por isso, este sábado tinha sido mais de adaptação do que de afirmação. Objetivo? Chegar à corrida e aproveitar as diferenças curtas de tempo para poder subir posições nas voltas finais.

O arranque não foi o melhor para o português, que desceu de forma momentânea para o 21.º lugar na primeira volta, mas voltou a ser essa fiabilidade a fazer toda a diferença para aquele que seria o segundo melhor resultado da temporada de estreia no MotoGP, apenas superado pela 11.ª posição na Argentina: percebendo o que se passava na frente da corrida e tendo em conta o calor que se fazia sentir na pista que acelerava o desgaste dos pneus médios, Miguel Oliveira foi aproveitando as quedas e saídas de pista para subir lugares, ficando no 12.º posto sem grandes hipóteses de chegar ao italiano Andrea Iannone.

Essa foi a parte má da corrida para o piloto de Almada: a luta entre as Aprilias de Aleix Espargaró e Bradley Smith, que atirou ambos para fora de prova, prejudicou não só os tempos para também o ritmo do português, que teve de desacelerar e sair de pista para não correr o risco de ser apanhado também no acidente. Mas também houve um lado bom para o português (e muito mau para aquilo que este Grande Prémio da Catalunha prometia): Jorge Lorenzo perdeu a frente na curva 10, abalroou de forma inadvertida Andrea Dovizioso e Maverick Viñales e também Valentino Rossi, no meio do acidente, acabou por ficar de fora.

A partir daí, Marc Márquez saltou para a frente da corrida, carimbou com alguma facilidade mais um triunfo que reforçou a liderança no Mundial e fechou a festa da família na Catalunha, depois da vitória de Álex Márquez em Moto2 que levou também o irmão para o primeiro lugar da classificação da categoria. Na luta pelos restantes lugares, e após um erro de Álex Rins que lhe retirou a possibilidade de discutir o segundo lugar, o francês Fabio Quartararo conseguiu pela primeira vez chegar ao pódio do MotoGP menos de duas semanas depois de ter sido operado ao braço direito e o italiano Danilo Petrucci ficou em terceiro.