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(Ainda o) “porco chinês”. UBS suspende o economista que fez comentário polémico

Horas depois de o banco chinês Haitong ter dito que iria "suspender toda a colaboração com o UBS", o banco suíço decidiu suspender Paul Donovan pelo comentário sobre o "porco chinês".

AFP/Getty Images

Horas depois de o banco chinês Haitong ter dito que iria “suspender toda a colaboração com o UBS”, o banco suíço decidiu suspender o economista Paul Donovan pelo comentário sobre o “porco chinês”. A suspensão vai manter-se “até que analisemos totalmente esta matéria, para avaliar que outras medidas precisam de ser tomadas”, explicou o banco suíço.

Na origem da controvérsia está um simples comentário bolsista, feito por um dos principais economistas do UBS — Paul Donovan — acerca de um indicador económico que dava conta de um ligeiro aumento da taxa de inflação na China. Mas a escolha de palavras feita pelo economista, conhecido pelo fino humor que normalmente emprega nos seus comentários bolsistas, levou a que o comenário se tornasse viral nas redes sociais na China, indignado milhares de cibernautas chineses e levando a que o economista tivesse de pedir desculpas publicamente.

“Os preços no consumidor na China subiram. Isto é, sobretudo, consequência dos porcos doentes”, começava por dizer Paul Donovan, indicando que alguns surtos de febre suína na China estavam a levar a uma escassez de carne de porco, fazendo subir os preços deste produto e, portanto, agravando a taxa de inflação global na economia.

O problema veio a seguir. Para indicar que este não era um indicador que devia preocupar os investidores internacionais em ativos chineses, Paul Donovan afirmou: “Porcos doentes. Isto é algo que interessa? Só interessa se você for um porco chinês”.

O comentário não ficava por ali — continuava, explicando que a subida dos preços da carne de porco só era algo preocupante para “alguém que come porco na China. Não é relevante para o resto do mundo, porque a China não exporta muitos produtos alimentares. A única relevância global que isto poderia ter era se a subida da inflação na China tivesse um impacto na política chinesa”.

Lido o comentário como um todo, o raciocínio de Paul Donovan fica mais claro. Mas os cibernautas chineses concentraram-se apenas na primeira frase, suspeitando que Paul Donovan estava a usar um trocadilho para insultar os cidadãos chineses.

A controvérsia chegou ao ponto de um site noticioso (ligado ao estado chinês), o Global Times, ter replicado os comentários e indicado que os cibernautas chineses queriam um pedido de desculpas oficial por parte do banco suíço UBS. O Global Times escreveu no Twitter que Donovan tinha usado linguagem “racista”.

E não foram apenas cibernautas irados que se manifestaram — uma associação sediada em Hong Kong que representa os investidores em ativos chineses, a Chinese Securities Association of Hong Kong, exigiu que o UBS despedisse Paul Donovan pelo comentário.

O pedido de desculpas acabou por chegar, mas pela boca do próprio Paul Donovan, que foi à Bloomberg TV — onde é convidado habitual — dizer que tinha cometido um “erro” apesar de ter sido “sem intenção” que usou “linguagem insensível do ponto de vista cultural”. “Peço desculpa, publicamente, por isto”, concluiu Paul Donovan. Para já, contudo, esse pedido de desculpas não terá sido suficiente para evitar que fosse suspenso pelo banco suíço.

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