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Madeira

Bispo do Funchal readmite padre suspenso há 42 anos

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D. Nuno Brás considerou que já não existiam motivos para que Martins Júnior se mantivesse suspenso. O padre, que também foi autarca, continuou a celebrar missas na Ribeira Seca.

D. Nuno Brás chegou ao Funchal em fevereiro de 2019

Gregorio Cunha

O bispo do Funchal decidiu revogar a suspensão do padre Martins Júnior que durava há já 42 anos. Martins Júnior, de 81 anos, foi presidente da Câmara Municipal de Machico, onde nasceu, e apesar de suspenso nunca deixou de presidir a celebrações religiosas na paróquia de Ribeira Seca.

D. Nuno Brás, que substituiu em fevereiro D. António Carrilho, decidiu agora nomeá-lo Administrador Paroquial da Ribeira Seca, acabando com uma situação de quatro décadas em que paróquia e diocese estavam de costas voltadas. A decisão, segundo a informação publicada este domingo site da diocese, foi tomada depois de ouvido o próprio padre Martins Júnior e os Conselhos Episcopal e dos Consultores, que decidiram revogar a suspensão por já não se verificarem as razões que levaram a essa tomada de decisão.

Segundo o Jornal da Madeira, D. Nuno Brás mal chegou à ilha decidiu logo dar resposta a alguns casos pendentes, como de Martins Júnior, que foi suspenso a 27 de julho de 1977, por determinação de D. Francisco Santana. Depois disso, passaram já pelo Palácio Episcopal D. Teodoro Faria e D. António Carrilho, que mantiveram a suspensão do padre.

O padre Martins Júnior foi suspenso em 1977 na sequência de divergências com o bispo da altura, D. Francisco Santana. Na origem do desentendimento estava a participação política de Martins Júnior, numa região em que a Igreja Católica e a corrente política de Alberto João Jardim sempre foram próximas.

Martins Júnior recusou ceder o controlo da paróquia à diocese após exigência do bispo — e durante 42 anos ele e a população mantiveram o controlo daquela comunidade religiosa. O facto de não ter obedecido à ordem do bispo fez que sacerdote fosse suspenso a divinis. Durante 40 anos, a paróquia funcionou como uma espécie de “enclave” não reconhecido oficialmente pela diocese, já que o sacerdote recusou dar o controlo da paróquia aos sucessivos bispos, e o padre nunca deteve nenhuma posição oficial na estrutura eclesiástica ao longo destes anos. Só a nomeação oficial como administrador paroquial acaba, agora, com a situação.

Ordenado padre a 15 de agosto de 1962, Martins Júnior foi nomeado pároco da Ribeira Seca a 22 de Junho de 1969. Foi presidente da Câmara Municipal de Machico entre 1989 e 1997, numa primeira eleição pelas listas da então UDP e uma segunda pelo PS. Foi também professor em diversas escolas madeirenses.

Em Ribeira Seca, esta decisão do bispo foi motivo de comemoração, como mostra o Diário de Notícias da Madeira.

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