Algumas dezenas de polícias concentraram-se este domingo manhã em frente ao Centro Hospitalar Universitário de Coimbra para manifestar apoio e solidariedade aos dois militar da GNR que ficaram feridos numa operação de fiscalização de trânsito.

A concentração foi convocada no sábado pelo Movimento Zero, constituído por um grupo de polícias que se mobiliza através das redes sociais.

Fonte ligada ao movimento disse à Lusa que estiveram concentrados cerca de 30 elementos da PSP, tendo estado também presentes no protesto, que começou a partir das 10:00, militares da GNR.

Com esta concentração à civil, os polícias manifestaram apoio e solidariedade aos militares da GNR feridos no sábado de madrugada em serviço, estando um deles internado no Centro Hospitalar Universitário de Coimbra.

Os dois militares da GNR sofreram ferimentos ligeiros depois de terem sido “atingidos com disparos de arma de fogo” numa operação de fiscalização de trânsito no sábado de madrugada na freguesia de Cernache, no distrito de Coimbra, tendo depois a viatura, com três ocupantes, fugido.

Os elementos da PSP e GNR pretenderam também alertar o poder político para a falta de condições dos polícias e para não se desvalorizar esta situação.

Um grupo de polícias criou através das redes sociais o Movimento Zero para protestar contra as condições de trabalho, baixos salários e recentes acontecimentos como o julgamento do caso da Cova da Moura, em que oito polícias foram condenados, e o caso que envolveu confrontos entre agentes e moradores do bairro da Jamaica, no Seixal.

Este movimento, que reúne atualmente mais de cinco mil polícias e garante que está em crescimento, troca mensagens na aplicação de telemóvel Telegram e alega que enviou uma carta ao Presidente da República, ao primeiro-ministro, ao ministro da Administração Interna e à direção nacional da PSP.

Na carta, divulgada em 31 de maio e a que Lusa teve acesso, os polícias referiam que desde 21 de maio estão a “desempenhar as funções com proatividade nula”, não efetuando “abordagens a viaturas ou cidadãos”, não intervindo em “situações de alteração de ordem pública sem que se encontrem totalmente reunidas as condições de segurança”.

Além disso, não levantam “autos contraordenacionais, salvo nas situações estritamente necessárias”.