Rádio Observador

História

A carroça com asas que ia levar o Homem à Lua há 400 anos

118

Há 400 anos, um dos fundadores da Royal Society quis ir à Lua a bordo de uma carroça com asas. A fome não era problema porque não haveria gravidade. Não tardou até a ciência lhe travar os planos.

Uma ilustração do historiador Allan Chapman imagina como seria a carroça de John Wilkins

Allan Chapman

Depois de Galileu Galilei ter observado a Lua ao telescópio pela primeira vez, bastaram três décadas para que John Wilkins, um dos fundadores da Royal Society, sonhasse pisar o nosso satélite natural. No ano em que o cientista italiano inventou o telescópio e viu aquilo que lhe pareciam ser montanhas e mares na Lua, ainda faltavam quatro anos para que John Wilkins viesse ao mundo. Mas o século XVII, tão vibrante em descobertas científicas, inspiraram-no a levar a humanidade mais longe. E, em 1638, planeou voar até à Lua a bordo de uma carroça, conta a BBC.

Foi nesse ano que John Wilkins assinou “The Discovery of a World in the Moone” — em português, “A Descoberta de um Mundo na Lua”. Nesse livro, citado pelo Wired, John Wilkins dissertava sobre “uma descoberta que tende a provar que pode haver outro mundo habitável nesse planeta”. “A estranheza desta opinião não é suficiente para a rejeitar, porque outras verdades absolutas já foram tidas como ridículas”, defende-se o autor. Além disso, prossegue o jovem que era também padre, “uma pluridade de mundos não contradiz nenhum princípio de razão ou fé”.

Nesse mesmo livro, John Wilkins descreve a Lua conforme os relatos de cientistas como Galileu. Para ele, a Lua é um corpo “sólido, compacto e opaco” que “não emite luz própria”. “As manchas e as partes brilhantes que podemos distinguir mostram a diferença entre o mar e a terra nesse mundo. As manchas representam o mar e as partes brilhantes representam a terra. Há montanhas altas, desfiladeiros profundos e planícies espaçosas no corpo da Lua. Há uma atmosfera, ou uma orbe de ar vaporoso, abrangendo o corpo da Lua”, retrata John Wilkins.

Ora, para John Wilkins, se toda a ciência e tecnologia disponíveis à época fossem levadas em conta, era possível deixar a Terra e pousar na Lua. Segundo a BBC, essa ideia parecia inspirada num livro publicado quatro anos antes — “Somnium” ou, em português, “O Sonho”, de Johannes Kepler, que imaginava ser possível viajar pelo espaço fora. John Wilkins tencionava tornar o sonho numa realidade e tinha um plano para o concretizar: uma carroça voadora.

Essa carroça estaria equipada com um motor acionado por uma mola que funcionaria a pólvora e que faria bater as asas nas laterais da nave. O motor continuaria a funcionar até que a carroça chegasse aos 30 quilómetros de altitude. Nessa altura, já em espaço aberto, poderia flutuar até chegar à Lua.

Quanto aos tripulantes, esses deveriam fazer uma viagem com características semelhantes às de quem passa algumas semanas a bordo de um navio em alto mar. Segundo a BBC, John Wilkins julgava que a fome não seria um problema no espaço, já que essa surgiria do efeito da gravidade nos estômagos. De resto, a mais importante das missões desses astronautas só aconteceria quando chegassem à Lua: se o nosso satélite natural fosse habitado, então os humanos deviam estabelecer parcerias comerciais com os extraterrestres.

Não tardou muito até que a ciência provasse que os planos de John Wilkins eram impossíveis. Uns anos mais tarde, em 1659, Robert Boyle e Robert Hooke descobriam a noção de vazio e como o espaço devia estar cheio dele. Também se apurou a distância entre a Terra e a Lua, o que levou a comunidade científica a compreender que viajar entre astros não era uma tarefa tão simples quanto parecia.

Foram precisos mais de três séculos para que o sonho de John Wilkins se concretizasse.

Não queremos ser todos iguais, pois não?

Maio de 2014, nasceu o Observador. Junho de 2019, nasceu a Rádio Observador.

Há cinco anos poucos acreditavam que era possível criar um novo jornal de qualidade em Portugal, ainda por cima só online. Foi possível. Agora chegou a vez da rádio, de novo construída em moldes que rompem com as rotinas e os hábitos estabelecidos.

Nestes anos o caminho do Observador foi feito sem compromissos. Nunca sacrificámos a procura do máximo rigor no nosso jornalismo, tal como nunca abdicámos de uma feroz independência, sem concessões. Ao mesmo tempo não fomos na onda – o Observador quis ser diferente dos outros de órgãos de informação, porque não queremos ser todos iguais, nem pensar todos da mesma maneira, pois não?

Fizemos este caminho passo a passo, contando com os nossos leitores, que todos os meses são mais. E, desde há pouco mais de um ano, com os leitores que são também nossos assinantes. Cada novo passo que damos depende deles, pelo que não temos outra forma de o dizer – se é leitor do Observador, se gosta do Observador, se sente falta do Observador, se acha que o Observador é necessário para que mais ar fresco circule no espaço público da nossa democracia, então dê o pequeno passo de fazer uma assinatura.

Não custa nada – ou custa muito pouco. É só escolher a modalidade de assinaturas Premium que mais lhe convier.

Partilhe
Comente
Sugira
Proponha uma correção, sugira uma pista: mlferreira@observador.pt

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Detalhes da assinatura

Esta assinatura permite o acesso ilimitado a todos os artigos do Observador na Web e nas Apps. Os assinantes podem aceder aos artigos Premium utilizando até 3 dispositivos por utilizador.

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Detalhes da assinatura

Esta assinatura permite o acesso ilimitado a todos os artigos do Observador na Web e nas Apps. Os assinantes podem aceder aos artigos Premium utilizando até 3 dispositivos por utilizador.

Só mais um passo

Confirme a sua conta

Para completar o seu registo, confirme a sua conta clicando no link do email que acabámos de lhe enviar. (Pode fechar esta janela.)