O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, apresenta esta terça-feira a sua recandidatura à Casa Branca pelo Partido Republicano, num comício que juntará 20.000 pessoas em Orlando, Florida, e numa altura em que algumas sondagens mostram que pode perder contra candidatos democratas.

Com alguns estudos de opinião a revelar baixos indicadores de aprovação do seu primeiro mandato e outras sondagens a mostrar que Donald Trump pode perder para vários dos 23 potenciais candidatos democratas, a escolha da Florida para o local de apresentação oficial da recandidatura do presidente norte-americano revela a preocupação em começar a tentar seduzir o terreno eleitoral mais volátil.

“Ele tem de ter um bom desempenho aqui, se quer ganhar a Presidência”, explicou o presidente republicano da Câmara de Orlando a um jornal local, referindo-se ao facto de a Flórida ser um swing state (que muda facilmente de partido).

Na Twitter, Donald Trump escreveu na segunda-feira que espera “bater recordes” no comício desta terça-feira em Orlando, dizendo que o seu Partido Republicano tinha recebido 100.000 pedidos de presença, para serem selecionados apenas 20.000 participantes, alguns dos quais já chegaram ao pavilhão do comício na segunda-feira, para conseguir um bom lugar.

“O nosso país está a ir muito bem, muito melhor do que os perdedores pensavam ser possível”, afirmou Trump. O presidente norte-americano referia-se a estudos de opinião que na passada semana apresentavam indicadores de aprovação abaixo dos 45%.

De acordo com uma sondagem da Universidade Nacional de Quinnipiac divulgada no dia 11, Trump está atrás de seis dos 24 adversários. Se as eleições fossem hoje, Trump perderia com os democratas Bernie Sanders por 53% contra 40%, com Kamala Harris por 49% contra 41%, Elizabeth Warren por 49% contra 42%, Pete Buttigieg por 47% contra 42% e ficaria atrás também de Cory Booker (47% contra 42%).

A mesma sondagem mostra que as mulheres norte-americanas também preferem Joe Biden a Trump (60%-34%). 95% dos democratas apoiam o ex-vice-presidente dos EUA, enquanto Donald Trump continua a liderar entre os republicanos, com 91%.

A equipa do atual presidente responde a estes números com índices de aprovação acima de 80% junto do eleitorado mais conservador. Esta foi a base de apoio que levou o republicano à Casa Branca em 2016 — e que Trump procura agora manter.

A campanha de Donald Trump despediu entretanto analistas responsáveis pelas sondagens negativas para o presidente em vários estados norte-americanos. “Estas sondagens não existem. Tive ainda agora um encontro com um politólogo e eu estou a ganhar em todo o lado, nem sei do que estão falar”, disse Trump à ABC na passada quinta-feira. No dia seguinte, reforçou a ideia numa entrevista à Fox News: “Estamos ótimos na Pensilvânia, estamos ótimos na Carolina do Norte. Na Florida estou a ganhar com grande margem”, garantiu.

O presidente critica ainda a Fox News e diz que “algo de estranho” se está a passar na estação de televisão. “As sondagens são sempre más para mim. Também estavam contra a ‘Crooked Hillary'”, acrescentou.

Nos comícios de reeleição (que, oficiosamente, Trump já iniciara em 2018), o presidente tem repetido o slogan “A América primeiro” e tem voltado ao tema do combate à imigração ilegal e à necessidade de revogar e substituir o sistema de saúde (“Obamacare”), para obter os mais fortes aplausos entre os seus apoiantes.

Ainda na segunda-feira, a poucas horas do comício, o candidato à reeleição afirmou que os serviços de imigração norte-americanos vão proceder à extradição de “milhões de aliens” que entraram ilegalmente no país. Para Trump, o México não está a conseguir controlar o fluxo migratório. “Vão ser removidos tão depressa como entraram (nos Estados Unidos)”, garante o presidente.

“Mas desta vez ele é o candidato incumbente. Não pode aparecer em 2020 com as ideias de 2016”, afirmou um elemento da sua campanha de reeleição ao jornal Politico, mostrando que entre o seu staff nem todos estão confortáveis com a estratégia de lançamento da sua reeleição.

Em frente ao Amway Center, onde se realizará o comício desta terça-feira, os democratas estão a organizar um protesto pacífico sob o lema “Win with Love” (“Ganhar com Amor”), para o qual levam um balão gigante de Trump em versão bebé e com fraldas, com ar irritado e com um telemóvel na mão. O povo da Florida também participa nos protestos, dizendo que a política de Trump os prejudicou.

O Election Day está agendado para o dia 20 de novembro de 2020.