No domingo passado, o atleta do Benfica Edward Pingua Zakayo venceu a prova dos 5000 metros da Liga Diamante, uma corrida disputada em Rabat, Marrocos. Com um tempo de 13:11.49 minutos, o queniano conseguiu o segundo melhor registo da sua carreira, mas tem sido motivo de conversa por outras razões: o facto de ter apenas 17 anos.

Depois de Zakayo vencer a prova, as redes sociais inundaram-se de comentários de internautas que, ao ver a fotografia do atleta, questionaram a sua idade. “Quantos? 17? Um em cada perna? E mesmo assim não sei”, lê-se num dos comentários à publicação sobre o atleta que faz parte da equipa júnior de crosse do Benfica. No site da Associação Internacional de Federações de Atletismo (IAAF), o perfil de Zakayo indica que o queniano nasceu a 25 de novembro de 2001.

Segundo o Diário de Notícias, o Benfica diz estar “confortável” com a situação, uma vez que o passaporte apresentado pelo atleta é legal. Já Henrique Jones, especialista em medicina do desporto, explicou ao jornal que podemos estar perante um caso de “envelhecimento precoce”, uma vez que muitos destes atletas tiveram “experiências traumáticas em idade jovem”.

Por vezes é estranho, sim, mas uma coisa é a idade aparente e outra é a idade real. A partir do momento em que há desconfiança, são feitos exames por radiografia ou ressonância magnética. A UEFA, por exemplo, obriga que os jovens que participem nas competições europeias façam um exame ósseo”, explicou o antigo médico da Federação Portuguesa de Futebol ao DN.

A polémica relacionada com a idade de atletas africanos não é de agora. Ainda este ano durante os mundiais de crosse em Aarhus, na Dinamarca, dois atletas de 18 anos da Etiópia que participaram na prova sub-20, Getnet Yetwale e Dinkalem Ayele, viram a sua idade ser questionada por aparentarem ser mais velhos.

No ano passado, também Girmawit Gebrzihair, uma atleta etíope, foi alvo de comentários sobre os seus 16 anos, depois de ganhar a medalha de bronze nos Mundiais sub-20 da Finlândia.