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Militar baleado em Coimbra está “estável e a recuperar bem” mas “um pouco abatido com a situação”

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Os colegas do agente baleado dizem que o militar está "a recuperar bem", mas frisam que está "abatido com a situação". Presidente da República já ligou ao agente, a quem desejou "rápidas melhoras".

Viatura onde seguiam dois militares da GNR foi baleada na madrugada de sábado

JOSÉ COELHO/LUSA

Autores
  • Beatriz Ferreira

Está “estável” e a “recuperar bem” o militar da GNR baleado durante uma ação de fiscalização em Cernache, Coimbra, na madrugada de sábado, e que foi submetido a uma cirurgia ao início da tarde desta segunda-feira, diz ao Observador o coordenador da delegação do centro da Associação dos Profissionais da Guarda-GNR (APG), o agente Luís Silva. “Foi-lhe retirado o projétil que tinha alojado junto ao maxilar, na face, do lado direito”, precisa.

Luís Silva visitou o colega no Hospital de Coimbra, após a intervenção. “Estive lá de manhã, a falar com ele. Só não foi operado logo porque a cara inchou muito e os médicos estiveram à espera que a face desinchasse um pouco”, refere. O coordenador frisa ainda que, apesar de tudo, o colega “está animado” e que as “perspetivas de recuperação são boas”. “Esteve sempre consciente.”  Já Carlos Gil, subdirigente da delegação do centro da APG, acrescenta que o colega, embora esteja “a reagir bem” se sente “um pouco abatido com toda a situação”. “Quem desempenha uma função rodoviária como a que se estava a realizar não espera uma coisa destas.”

Também Luís Silva refere que o militar baleado e o que acompanhava – e que ficou com ferimentos ligeiros –  “não estão muito bem psicologicamente, é normal”. “Esperamos que os autores sejam identificados rapidamente e que sejam detidos. Estamos a contar com a colaboração da judiciária, como é normal nestes casos.”

Marcelo desejou “rápidas melhoras” e “sublinhou a coragem”

Estava previsto que o Presidente da República visitasse o militar ferido, mas, por motivos de agenda, Marcelo Rebelo de Sousa acabou apenas por lhe ligar na segunda-feira, pelas 14 horas, logo após a operação. O agente Carlos Gil não esteve presente durante o contacto, mas sabe que a conversa se focou no estado de saúde do agente. “Falaram sobre como estava [o militar], se tinha tudo corrido bem. E ele respondeu que estava tudo a correr bem, que tinha corrido bem a operação”, conta ao Observador o subdirigente da delegação do centro da APG.

Numa nota publicada no site da presidência, o chefe de Estado referiu que “falou ao início da tarde [de segunda-feira] com o militar da GNR atacado a tiro na passada semana, inteirando-se do seu estado de saúde, que evolui favoravelmente depois da intervenção cirúrgica desta manhã”. Durante a conversa, refere a mesma nota, Marcelo “sublinhou a coragem, a importância do seu papel e a responsabilidade das forças de segurança, desejando rápidas melhoras ao guarda ferido”.

Além do telefonema do Presidente da República, o militar recebeu também, na tarde de segunda-feira, a visita do comandante-geral da GNR, o tenente-general Luís Francisco Botelho Miguel, e do Ministro da Administração Interna, Eduardo Cabrita. “O sr. ministro esteve lá, mas também estiveram lá os nossos dirigentes. (…) Só que nós não fizemos comunicados”, critica António Barreira, coordenador da delegação Sul da APG.  “Nestes momentos de aflição e dor, é estar junto daqueles que precisam — sem fazer comunicados”, atira. Após a visita, o ministério da Administração Interna lançou um comunicado, no qual enaltecia “na pessoa deste militar, a coragem de todos os militares da guarda”.

Mas foram as declarações do dia anterior que não caíram bem junto dos militares. No domingo, Eduardo Cabrita negou que haja cada vez mais elementos das forças e serviços de segurança feridos em serviço. “Felizmente Portugal é cada vez mais um país seguro. Em 2014, éramos o décimo oitavo país mais seguro do mundo. Fomos esta semana reconhecidos como o terceiro país mais seguro do mundo”, disse o governante.

Porém, segundo o Relatório Anual de Segurança Interna (RASI) de 2018, no ano passado, 1 159 elementos das forças e serviços de segurança ficaram feridos em serviço, sem necessidade de internamento, enquanto em 2017 esse número foi de 265. “São quatro vezes mais agentes feridos”, conclui António Barreira. E acrescenta: “Temos dois ministros: o que fez as contas mal sobre as agressões aos agentes da autoridade, e o que visita um dos nossos homens quando ele está no hospital”, aponta o responsável. “Estamos preocupados com os camaradas que estão nos hospitais e com os que podem vir a estar.”

Dois militares feridos

Foi na madrugada de sábado que dois militares da GNR ficaram feridos durante uma operação de fiscalização rodoviária na zona de Cernache, distrito de Coimbra, segundo a GNR e o Comando Distrital de Operações de Socorro (CDOS) de Coimbra. O alerta foi dado pela 01:10, para uma ocorrência no Itinerário Complementar 2 (IC2), junto ao posto de combustível da Repsol, na freguesia de Cernache. Um dos militares chegou a ser baleado; o outro ficou com ferimentos ligeiros devido a estilhaços do vidro da janela da viatura baleada.

“Aquilo que os colegas me contaram é que eles iam à retaguarda, foi uma perseguição de cerca de 4km. Tentaram intercetar a viatura porque se tornou suspeita por levar uns caixotes de cartão e quando verificaram no sistema o veículo não possuía inspeção nem seguro”, conta Luís Silva. O agente acrescenta que os colegas ordenaram a paragem da viatura mas os ocupantes puseram-se em fuga. “Iniciou-se a perseguição de cerca de 4km. Junto às bombas da Repsol, em Cernache, inverteram o sentido de marcha e ao cruzarem com a viatura o condutor disparou logo para o vidro, mesmo diretamente à face. Foram pelo menos três tiros, com arma de calibre 6.35”, acrescenta.  “É complicado nestas situações, ainda para mais de noite. Não se está à espera que uma simples operação de rotina acabe nisto.”

Uma vez que está em causa o uso de arma de foto, a investigação passou a Polícia Judiciária.

Segundo a TVI24, um dos suspeitos dos disparos já se entregou às autoridades, no posto da GNR de Leiria, enquanto um segundo suspeito continua em fuga. O homem que se entregou seguia ao lado do condutor e terá sido o autor dos disparos. O segundo suspeito, condutor e proprietário da viatura envolvida, está em parte incerta.

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